3.10.07

era mesmo tudo verdade






29.9.07

I don't feel at home in this world anymore



Esta compilação é um tributo à musica feita pelos imigrantes nos EUA, com músicas gravadas entre 1927 e 1948. Porque foram eles que a tornaram no que ela é agora e tal...Mas algo que diz que a vou ouvir muitas vezes. As vozes são tristes, quem as canta é solitário e sente falta de casa. Desde gregos a mexicanos, não importa como, todos dizem o mesmo.

Paperblanks.com





12.9.07

95 ideas - keri smith

1. Go for a walk. Draw or list things you find on the the sidewalk.
2. Write a letter to yourself in the future.
3. Buy something inexpensive as a symbol for your need to create, (new pen, a tea cup, journal). Use it everyday.
4. Draw your dinner.
5. Find a piece of poetry you respond to. Rewrite it and glue it into your journal. 6. Glue an envelope into your journal. For one week collect items you find on the street.
7. Expose yourself to a new artist, (go to a gallery, or in a book.) Write about what moves you about it.
8. Find a photo of a person you do not know. Write a brief bio about them.
9. Spend a day drawing only red things.
10. Draw your bike.
11. Make a list of everything you buy in the next week.
12. Make a map of everywhere you went in one day.
13. Draw a map of the creases on your hand, (knuckles, palm)
14. Trace your footsteps with chalk.
15. Record an overheard conversation.
16. Trace the path of the moon in relation to where you live.
17. Go to a paint store. Collect 'chips' of all your favorite colors.
18. Draw your favorite tree.
19. Take 15 minutes to eat an orange.
20. Write a haiku.
21. Hang upside down for five minutes.
22. Hang found objects from tree branches.
23. Make a puppet.
24. Create an outdoor room from things you find in nature.
25. Read a book in one day.
26. Illustrate your grocery list.
27. Read a story out loud to a friend.
28. Write a letter to someone you admire.
29. Study the face of someone you do not like.
30. Make a meal based on a color theme. (i.e. all white).
31. Create a museum of very small things.
32. List the smells in your neighborhood.
33. List 100 uses for a tin can.
34. Fill an entire page in your jounral with small circles. Color them in.
35. Give away something you love.
36. Choose an object, draw the side you can't see.
37. List all of the places you've ever lived.
38. Describe your favourite room in detail.
39. Write about your relationship with your washing machine.
40. Draw all of the things in your purse/bag.
41. Make a mini book based on the theme, "my grocery list".
42. Create a character based on someone you know. Write a list of personality traits. 43. Recall your favorite childhood game.
44. Put postcards of art pieces/painting on the inside of your kitchen cupboard doors, so you can see them everyday (but not become deaf to them.)
45. Draw the same object every day for a week.
46. Write in your journal using a different medium (brush & ink, charcoal, old typewriter, crayons, fat markers.
47. Draw the individual items of your favorite outfit.
48. Make a useful item using only paper & tape.
49. Research a celebration or ritual from another culture.
50. Do a temporary art installation using a pad of post it notes & a pen.
51. Draw a map of your favorite sitting spots in your town/city. (photocopy it and give it to someone you like.)
52. Record all of the sounds you hear in the course of one hours.
53. Using a grid, collect various textures from magazine and play them off of each other.
54. Cut out all media for one day. Write about the effects.
55. Make pencil rubbings of six different surfaces.
56. Draw your garbage.
57. Do a morning collage.
58. List your ten most important things, (not including animals or people.)
59. List ten things you would like to do every day.
60. Glue a photo of yourself as a child into your journal.
61. Trasform some garbage.
62. Write an entry in your journal in really LARGE letters.
63. Collect some 'flat' things in nature (leaves, flowers). Glue or tape them into your journal.
64. Physically alter a page. (i.e. cut a hole, pour tea on it, burn it, fold it, etc.)
65. Find several color combinations you respond to in public. Document them using swatches, write where you found them.
66. Write a journal entry describing something "secret". Cut it up into several pieces and glue them back in scrambled.
67. Record descriptions or definitions of subjects or words you are interested in, found in encyclopedias or dictionaries.
68. Draw the outline of an object without looking at the page. (contour drawing).
69. What were you thinking just now? write it down.
70. Do nothing.
71. Write a list of ten things you could to do. Do the last thing on the list.
72. Create an image using dots.
73. Do 3 drawings at different speeds.
74. Put a small object in your left pocket (or in a bag), Put your left hand in the pocket. Draw it by feel.
75. Create a graph documenting or measuring something in your life.
76. Draw the sun.
77. Create instructions for a simple everyday task.
78. Make prints using food. (fruit and vegetables cut in half, fish, etc.)
79. Find a photo. Alter it by drawing over it.
80. Write a letter using an unconventional medium.
81. Draw one object for twenty minutes.
82. Combine two activities that have not been combined before.
83. Write about your day in an encyclopedic fashion. (i.e. organize by subject.)
84. Write a list of all the things you do to escape.
85. Cut a random shape out of several layers of a magazine. Make a collage out of the results.
86. Write an entry in code.
87. Make a painting using tools from the bathroom.
88. Work with a medium that is subtractive.
89. Write about or draw some of the doors in your life.
90. Make a postcard that has some kind of activity on it.
91. Divise a journal entry using "layers".
92. Divise an entry using "layers".
93. Write your own definition of one of the following concepts, sitting, waiting, sleeping (without using the actual word.)
94. List 10 of your habits.
95. Illustrate the concept of "simplicity".

11.9.07

we art lists

sei que já sabes
e sei que achaste a ideia genial

FESTÃO da LISTA



101 coisas em 1001 dias
uma lista realmente comprometedora
de sim ou sopas
para o futuro próximo
aquele futuro que preparamos cheias de planos?

"é ir".

28.8.07

voltei a ela, soube tão bem

Gracias a tu cuerpo doy
Por haberme esperado
Tuve que perderme pá
Llegar hasta tu lado
Gracias a tus brazos doy
Por haberme alcanzado
Tuve que alejarme
Pá llegar hasta tu lado
Gracias a tus manos doy
Por haberme aguantado
Tuve que quemarme
Pá llegar hasta tu lado

lhasa de sela

26.8.07

this too should've stayed home

ou como os vianeses dizem "vendem-se vísceras de porco"

que te vaya bien


que te vaya bien, originally uploaded by riu piu piu.

family tree

finalmente, decido-me a fazer perguntas. cronologicamente:

o meu bisavô , chamado joão, matou um homem e foi preso. era pedreiro e na altura vivia na ponte do bico, aqui em braga. para atravessar a ponte arriscava-se a ser assaltado diariamente e uma vez iam até atira-lo para o rio - ao irmão do meu avô roubaram-lhe aí o orçamento - salvou-lhe a pele um homem que passava e disse "esse não, que esse aí é conhecido!" , e pronto, lá lhe salvou o pêlo. Dizia eu, arriscava-se a muito só para chegar a casa, e como quase toda a gente, tinha a sua pistolinha na algibeira. Numa noite de copos, um brutamontes, com o dobro da altura do sr. joão - conheces bem a estatura normal dos vieiras - ameaça matar um gato. ao meu bisavô, meteu-se-lhe na cabeça que o homem não podia matar o gato! então depois de pancadaria, com o homem gigante em cima dele, sr. joão saca da pistola e dá-lhe um tiro.
depois vai para casa, enfia-se na cama e adormece.
Na manhã seguinte, com a polícia à porta, diz que não se lembra de nada, a polícia faz questão de lho relembrar, e sr. joão é preso na cadeia do campo da vinha (?).
Morre na cama, tranquilamente, depois de ter molhado doces de romaria numa malga de leite, comprados pela minha avô. come e morre.
"que morte santa" diziam.

Sr. João era casado com a dona Glória, minha bisavó, portantos. Ela vendia fruta, tremoços e azeitonas à face da estrada. às vezes mantinha as frutas debaixo duma cobertura no quintal de casa, e os garotos que iam ao rio, passavam por lá e roubavam-lhe tremoços! ah, a casa ficava mesmo ao lado do rio. aliás, contou-me o meu tio, que debaixo do chão da casa, estavam só cobrinhas d'agua e que uma vez, ele pensava que estava a mamar na mama da minha avó, mas não, tinha um rabinho de cobra na boca!

A minha avozinha, a linda e amorosa SeTresinha, vendia fruta com a mãe,o que implicava acompanha-la desde a ponte do bico até ao mercado, no centro da cidade, com os cestos da fruta. Quando a Dona Glória morreu, Teresinha fica com o lugar no mercado. Aí, como não descontava para a segurança social, decidiu pensar na velhice e fez-se padeira, em que trabalhou 10 anos, o mínimo para obter depois uma reforma. Entre vender o pão, criar seis filhos e cuidar do marido, fazia também a limpeza nas casas de duas senhoras amigas.

O meu avô a Augusto Araújo Fernandes, pura e simplesmente ignorou o Araújo do nome e passou a ser só Augusto Fernandes. Bela peça, descobri que o meu avô era um bon vivant. Quando fazia viagens de comboio ao Porto com a filha, dizia assim ao passar em Famalicão "olha, já tive aqui uma namorada"; passado mais uns minutos repetia a frase. Era muito amigo de estudantes e como sempre foi comerciante, uma vez ofereceu um fato a um estudante que não tinha dinheiro para comprar um para levar a namorada a ver uma exposição colonial no palácio de cristal. foi para o brasil visitar a irmã e por lá ficou uns tempos...depois voltou e foi ele quem movimentou toda a familia...da ponte do bico para o areal. no areal, abre um tasco frente ao então inexistente quartel. a minha avô trata dos fritos antes de ir para a padaria e ele trata do resto. nesse tasco, vive toda a família. nesse tasco, viria depois a abrir o meu avô paterno a sua oficina de metalurgia. pois, que uma vez que a ideia do quartel começa a surgir e a tornar-se realidade, os livro de calotes do sr. augusto começa a aumentar e não tem alternativa a viver ao pé de montariol, onde vive uma bruxa agora. depois foram para a casa que conheci, e de que sinto falta. papel de parede amarelo e azul e linóleo a imitar a madeira no chão.
Augusto faz do rio o que ele quer. excelente nadador, aventureiro, namoradeiro, e excelente guitarrista faz cócegas nos pés da minha avó quando ela era criança. casaram-se tinha ele 50 e ela 26. ela servia-lhe o café na casa do professor da aldeia, que o avô frequentava.
nunca incomodou ninguém. nem deixava que ninguém incomodasse alguém. uma vez cortou as tranças da minha tia com a sua navalha da barba, porque tinha de pedir à vizinha que as fizesse, uma fez que a vó saía demasiado cedo de casa para as fazer. essa minha tia, revoltada, faz o mesmo penteado a uma gémeas que conhecia, dizendo que ficariam muito mais bonitas. estas, com um penteado irremediável vão chorar para a saia da sua mãe, que vem fazer queixa à minha avó, que quer bater na minha tia. "o Se Tresinha, não bata! só não sei o que faça ao cabelo das minhas filhas!..."

21.8.07

ando a sentir o que é saber o que se quer, é o que é.
sempre andei às turras, a tomar decisões sem as pensar, a trabalhar e não questionar realmente porque trabalhava, olha, é o meu dever
toda a gente sabe que a minha ida para psicologia concorreu com história, com sociologia, com línguas e sei lá mais o quê, mesmo à perdida
e tem sido engraçado
mas só agora é que encontrei "aquilo"
"aquilo" sempre esteve ao meu lado e nunca o vi assim. "aquilo" é a cultura popular na sua simplicidade, no seu lugar de nascença, no seu em bruto

dei por mim boquiaberta de cada vez que descobria o porquê de um detalhe numa roupa minhota, ou do nome de uma cidade.

só de pensar nas histórias, sabedorias, danças, cantares, jogos, que guardam os nossos velhos sinto uma curiosidade já emocionada, um pavor de que fiquem por terra, na deles, com eles.

há anos, quando tinha o cabelo cor-de-rosa, fui a vila da ponte e pelo caminho conhecemos a dona ana. a dona ana vestia-se de negro e calçava umas botas sujas de lama. cantou-nos uma música da ana e de um príncipe. tiramos uma fotografia com a dona ana e prometemos enviar-lha. a culpa é só minha, ainda tenho a foto comigo e nunca a enviei. entretanto a senhora deve ter morrido.

mas é isto
posso falar dos nossos velhos como dos velhos dos outros
os intrumentos que criam
as histórias que inventam para se justificar no mundo
as danças que expiam qualquer mau pensamento em qualquer recanto

fogo
a terra é linda

sinto-me terra
sei que sou terra
que tenho de aprender a terra, ensinar a terra,
impedir que a terra regresse à terra

(quantas línguas morrem, quantas profissões desaparecem, quantas músicas nunca serão ouvidas e ninguém sabe que algumas vez existiram)



19.8.07

da iluminação

sei o que quero dizer, não tenho disposição, perdi-a!
mas não esqueço

7.8.07

ano novo

A pobre da vitorina
Como todo mundo sabe
Dizem que morreu de parto
Que morreu na enfermidade

A pobre da vitorina
Como todo mundo sabe
Só queria morrer de velha
Com seu amor de verdade

Às portas da eternidade
Tinha junto ao coração
Uma letra que dizia
Morrer sim deixar-te não!

ares

Depois de 8 dias a temperaturas beirãs (entre 40 e 45º à sombra), os 20º cá do Norte são quase difíceis de suportar, tendo em conta que é Verão.
Relativamente às temperaturas impossíveis, nem eu acreditava, até verificar que todos os termómetros em campo diziam o mesmo...

22.7.07

tem um nome

o que eu quero fazer tem um nome
foi importante só decidir que o queria fazer mas daí a conhecer-lhe o nome tornou-o ainda mais possível

chama-se etnomusicologia e a objectividade da wikipédia não lhe tirou o charme:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Etnomusicologia

19.7.07

do homem que criou uma neta sozinho, numa vila de pescadores na costa galega. costa de mortes e pescarias invertidas. marchante de profissão, cortou três dedos da mão direita deixando o polegar e o mindinho intactos. eram três bifes de vaca para a dona luz. os dedos restantes davam algum suporte mas a mão não era muito utilizada de qualquer forma. a carne não era muito rentável de qualquer forma por isso fechou o negócio. entre o tempo do cheiro a carne morta lhe desentranhar do corpo viu o seu genro desaparecer para sempre no meio de mar, viu a sua neta soluçar a dor, viu a sua filha ao pé da estrada, numa cadeira de plástico, a puta. nunca deixaria o cheiro a peixe substituir o da carne, nunca. pegou na neta e abriu o bar onde pescadores, faroleiros e marinheiros comem calados o seu almoço. espera por eles todas as manhãs com a televisão ligada no canal infantil, para a neta, enquanto lê o jornal. triunfa ao saber que os seus dois dedos seguram perfeitamente uma chávena de café ou um copo de cerveja, mas que nunca puxarão as redes que arrastam para dentro mais do que deixam saltar para fora, onde já se viu, tanto homem vazio.

16.7.07

24.6.07

por falar em pretéritos

e eu tenho saudades.

maybe next year...

22.6.07

search skin deep

acho que estou a ouvir uma coisa que já ouviste, a francisca cortesão é boa, é docinha
se tu voluntariamente te embrenhas em pretéritos
os meus vêm ter comigo
hoje recebi e-mails de dois mil e quatro
as primeiras aventuras do nuno em londres - as megastores são mesmo mega, e os livros são baratos!
um e-mail da daniela a desculpar-se por uma coisa que fez e que, de todos, só me contou a mim
a lígia, que nunca aparecia, e que uma vez me escreveu uma carta cheia de lugares-comuns mas que adorei receber
naquele verão terrível escrevi e-mails muito tristes aos meus amigos, e eles responderam-me
agora mal lhes falo
que coisa mais coisa para acontecer. alguns falam de coisas que não faço ideia o que são

das tuas botas, o melhor post de sempre. boa vida
gostava de fazer algo igual com as minhas - que ainda estão na flor da juventude - mas ainda não estiveram em sítios suficientes para o fazer

do teu monopólio, ainda bem que continuas a escrever. eu tenho pensado, e tenho coisas para escrever, mas não me apetece. o teu portfolio fez-me pensar como crescemos com panos de fundo diferentes, como fomos estimuladas em sentidos diferentes, como temos influências diferentes e como desejamos as mesmas coisas para o futuro
dar, aprender, conhecer
wherethehellarejoana'sboots
e elas a dançar sob a aurora burealis da noruega
ou a equilibrar-me depois duma tosga com as aldeãs vietnamitas doidas
ou a serem levadas por um carro vermelho a atravessar o mojave

o a um deus desconhecido está a ser lindo
está a impedir-me de estudar
porque estudo no mesmo quarto em que durmo, e isso está bem, contra todas as leis comportamentalistas
mas estudo no mesmo quarto em que tenho os livros
e isso, finalmente, voltou a estar mal

não o quero acabar, mas quero, porque parece que vai acabar mal, mas pode não acabar mal, tamanha é a fé em algo que não se sabe o que é e que não se admite o que é
é um ode à natureza
é morrer e ser uma árvore
e dar de beber vinho à árvore, porque ela guarda alguém

do Lat. exequias

Exéquias:

s. f. pl., cerimónias ou honras fúnebres.
só para os leigos leitores que não tem a sofisticação linguística da RS.

21.6.07

on my bedside

http://www.lonelyplanet.com/

Countdown: 20 days

cobwebs and old boxes

As arrumações a fundo que faço no meu quarto estão normalmente cheias de boas intenções, mas nunca chegam ao fim. Passo horas a remexer em coisas antigas, ponho-as e montinhos a que depressa perco a organização e o destino. Vejo, recordo, penso para mim mesma no que é que tenho que fazer com elas. Muitas vezes, a to-do-pile é maior do que aquilo que consigo eficazmente arrumar, por isso pego nela e volto a arrumá-la, num sítio diferente.

Só a D. Elvira é que acha que nenhuma destas organizações tem uma lógica prática, estabeleceu uma ordem só dela e eu nunca consigo encontrar as coisas que procuro. Mas não faz mal. Não conseguiria na mesma, e assim, ao menos as coisas têm um ar mais arrumado (segundo os critérios da minha mãe).
Uma das razões que me levam a perder tanto tempo (ou a ganhar, depende do ponto de vista), é que passo imenso tempo a reler cartas, trabalhos e a ver fotos antigas. Um destes dias encontrei o caderno de poesia do último ano da escola na Inglaterra.


19.6.07

old times

after crisis come good times

and after good times come crisis

cycle of life
in the summer, the emmigrants return home
even though they'll never return again
even though they never left

in memory of my boots

o funeral prometido não tem ainda uma foto das defuntas

compradas em 1999 para esta actividadepara a qual também comprei as calças, que deixavam um rasto de azul por onde quer que eu passasse, dando azo à invenção de uma nova modalidade: Sku.


Com as minhas fiéis companheiras, calcorrei metade do Gerês

por aldeias e tradições
(ou em como a bosta é só erva ruminada e fecha os fornos do pão)

acondicionando a descida escorregadia de rios e montanhas

em todos o tipos de estados de espírito

em todos os tipos de tarefas

em vários tipos de transporte (este era batota)

Tiveram um momento crítico, em 2002, quando caí numa fossa suja e gordurosa de restos alimentares, no XX ACANAC.
Mas sobreviveram.

Nesse ano, ainda foram à Tailândia


e até andaram de elefante (apesar de hoje ter vergonha, por ter noção de algumas coisas que não tinha na altura) (shame on me)

fizeram serviço comunitário na escola de uma aldeia thai

Ainda participaram num último ACAREG e num acampamento de aniversário do agrupamento.(aniversário do agrupamento, 2005)

(acareg 2005)

Depois, veio a Suíça e elas ficaram em Portugal, já a precisar de reforma. Calcei-as passado uns tempos, para ir para o monte cortar lenha, quando me apercebi que a sola se desfazia e largava bocados por todo o lado.

Estavam mortas.
Mas tiveram uma boa vida.

Devem ter andado milhares de quilómetros, usei-as em duas promessas, um ACANAC, dois ACAREG's e um Jamboree, para além de dezenas de acampamentos.

Afinal não são só os álbuns dos Radiohead que fazem memórias.
When you got no music, you still got your feet and they take you to places...

Agora, já tenho umas novas. E prometem viver tanto como as outras.

A novos ciclos.

17.6.07

fed up

Amanhã não vou poder ver.
Sorry!

Mas também não pude acampar.
Vocations make higher needs...

:(

15.6.07

cursed times

dreaming of... (an impossible to-do list for current times)

- estrear as botas em mega-caminhada (já estão bem moldadas ao pé, só falta mesmo metê-las a uso)
- ler livros e jornais horas a fio sem sentimento de culpa
- ficar de papo para o ar
- acampar
- acabar a manta da camila
- dar beijinhos
- tirar fotografias
- ver um concerto
- dinner on the balcony
- jogar às cartas
- nadar no mar

...

oh god
é melhor parar

13.6.07

17 pages of bullshit, and counting

"Por outro lado, imaginemos que temos um cliente com sintomas depressivos que dá mais valor às experiências negativas que teve ao longo da vida. Ajudá-lo a explorar ponto por ponto a sua linha de vida pode contribuir para que ele descubra que afinal houve influências positivas e que dar-lhes valor e significado pode contribuir para a sua orientação e recuperação."

Os porcos não vão ter pérolas. Vão ter cascas de maçã, laranja, restos de jantar, pilhas, papel, embalagens e tudo o que normalmente se despeja nas pocilgas (que, afinal, é aquilo que eles gostam). Estou tão contente que seja o último trabalho deste género que me estou a esmerar.
Depois, a mãe Joana vai começar a reciclar e a usar colares caros.

12.6.07

la suite

Entusiasmada com o aumento dos níveis de produtividade, pus o despertador para as 12h, não me deixando dormir mais do que as 8h normativas, para manter os níveis de taralhoquice minimamente controlados.
12h, dizia eu...
às 9 menos qualquer coisa, um estremecimento, um abanão e uma máquina começa a trabalhar e a fazer furos no telhado da minha casa. Andam a mudar as telhas e avisar nem consta do repertório, que a essa hora, todas as pessoas normais estão a trabalhar, ou pelo menos já deviam estar acordadas.

hmpf.

reforços



4 days
contdown: 30

Chegar a esta hora e descobrir que já estão a dar televendas
ou
é, é!
é um jogo!
bom, é qualquer coisa na televisão com demasiadas cores e sorrisos amarelos para que eu lhe preste atenção (se bem que demasiadas cores e sorrisos amarelos já não são exclusivos destas horas).

Só pode significar duas coisas:
- a televisão serve apenas como ruído de fundo (pôr música a esta hora, na sala, é algo que não se deve tentar na casa n.º 7)
- para isso, mais valia estar desligada
- os ritmos circadianos já estão a entrar, de novo, nos eixos
- e, finalmente, TRABALHA-SE!

E que, para chegar a esta (inteligente) conclusão depois de tanto (suposto) trabalho, as vocações devem andar mesmo no auge.

Para o fim de semana, não vou conseguir resistir a ir com o resto do agrupamento.
Já se precisa.

8.6.07

ponto da situação

Contas feitas, nos últimos 3 meses devo ter passado quase 40 horas a passar sempre a mesma experiência. Às vezes, dou por mim a trautear as sequências melódicas quando vou para casa, depois de mais uma tarde a medir memórias e a invejar ouvidos absolutos.
A essas 40 horas, somo mais umas 20 em que fiquei à espera de pessoas que não apareceram. O que vale é que a Gulbenkian tem pianos à disposição e algum do tempo perdido compensa-se a praticar músicas para a aula de quarta-feira.
Durante este tempo todo, fui pouco mais produtiva. Mas já ganhei vontade e ideias para concluir o Projecto, para voltar a tocar violoncelo e, se possível, tocar numa orquestra.
Afinal, não está tudo perdido.

31.5.07

propósitos disfarçados

Fui à biblioteca para poder trabalhar sem me distrair.

Na verdade, verdadinha, queria muito ir trocar os livros que andava a ler (engonhar) e trocar por outros.
Porque tenho imenso tempo para ler romances, está claro.

Fiquei com o do Sepúlveda, e trouxe este, curiosidade espicaçada numa destas tardes chuvosas que ficam.

27.5.07

reading

Vou-me deitar na cama, na minha posição viciosa favorita, até adormecer com a luz acesa, e acordar com as marcas das páginas na cara.

yikes!

Ao ver a página das 40h non-stop em Serralves, comecei a perceber que ia precisar de um multiplicador de tempo (sim, tirei a ideia do Harry Potter) para ir a tudo o que gostava de ver, cheirar, sentir, ouvir e por aí fora.
Cheguei à conclusão que é melhor ir vendo, porque planear implica fazer horários, conjugar programações e para isso já chega as semanas em que andamos.
Ainda assim, não podemos perder isto, que até podia ser para compensar a frustração do concurso de fotografia em Braga, mas a gente já sabe que se ia meter nessa de qualquer das formas. Isto, isto, e o workshop de clown era tão bom para eu fazer asneiras.
A inevitável festa no Prado, os teatros e a música (para a qual eu nem me atrevo a meter links porque não conheço quase nada, mas as descrições atraiem-me quase todas).

Ai ai
vai ser bom, vai
estava-se mesmo a precisar

22.5.07

fantastic expectations, amazing revelations


olha o que acontece quando o teu ensaiador é fotografo de um jornal que publica digitalmente as fotos

FEAR!

17.5.07

raios

que não desgrudo
O_o

clássico

depois de tanto tempo
querer fumar um cigarro
ter tabaco de enrolar

e não ter mortalhas

I

Acendeu um cigarro e ficou à espera.
Com a noite, vinha o silêncio, uma tela branca onde podia pintar a cor que quisesse, a melodia que bem entendesse, o mais leve sussurro de matéria. Podia mesmo ouvir o seu corpo a funcionar, desde o bombear ensurdecedor até aos pêlos dos braços, levantados harmoniosamente numa ode ao arrepio.
Desde que se lembrava que tinha rituais estranhos, nesse silêncio.
Descia os degraus das escadas, medindo o peso, deslizar e o toc-toc dos seus passos na madeira. Acendia uma vela, que a luz da lâmpada de baixo consumo era de um estardalhaço que só podia pertencer ao ruído insuportável do dia, da luz do sol. Sem vela, não havia poesia, sem poesia, não havia vida.
Sentava-se no piano e martelava nas teclas, horas a fio, até que os pulsos pesassem, as costas curvassem perante tamanho desgaste. Ensaiava a o poesia daquele momento, persistindo em compassos e frases, ininterruptamente, até que não desviasse as notas, até que não precisasse mais de as procurar na pauta, nem no teclado, por já conhecer tão bem as suas posições. Na pauta, no teclado, na memória, na alma.
Aí, os pulsos deixavam de pesar, os músculos tesos do tronco estendiam-se e a melodia caía no seu lugar, montada passo a passo, interpretada passo a passo. Fluía.
No preciso momento em que a música fluía, no limiar da imperfeição, só um bocado mais além, levantava-se e ia-se embora.
A pauta ali ficava, esquecida, durante anos.

13.5.07

iron-y : o dente de ferro

acabei de enviar um e-mail
e só agora é que reparei na ironia da minha assinatura, tendo em conta o dia de hoje

"sooner or later you'll bare your teeth,
sooner or later you'll bury your teeth"

e saber que os ia perdendo hoje
não fosse eu portentora de uma verdadeira dentuça

12.5.07

a propóstito de quilts

aqui aqui e em muitos outros lados

"Soube o que era um quilt antes de saber o que significava a palavra quilt. O meu avô aproveitava tudo e mais alguma coisa, da minha (não muito longínqua) infância lembro caixas, caixotes e caixinhas de tampas de detergentes, botões velhos, embalagens de tudo e mais alguma coisa que não se podiam deitar fora, porque tinham que se aproveitar. De ir buscar fruta podre ao mercado, de não acender a luz da casa de banho. De não cumprimentar os netos com um beijo porque era a melhor forma de transmitir micróbios e depois tinha que se gastar dinheiro em medicamentos. Ainda hoje encontro meias dos Ecuteiros do meu pai cosidas e recosidas e tão duras dos remendos.
Sim, era doença.
Mas por causa disso, a minha avó usava todos, todinhos, os farrapos que sobravam das roupas que fazia, das roupas velhas, para fazer mantas (que há pouco tempo descobri que se chamavam quilts). As minhas conversas de almofada antigamente não eram com a almofada e sim com os padrões dos quilts que ela cosia. E contra a vontade do meu avô, cada uma das noras, filhas e netas tem um traje completo de lavradeira do minho, the works: a saia bordada, a camisa, o corpete, o avental, os socos (que já há muito deixaram de me servir), o lenço de lavradeira e o lenço dos namorados.
Leio regularmente o que postas e para além da admiração por todas as coisas bonitas que crias e de que te lembras, sorrio ao imaginar a A. e a E. aconchegadas nessas obras de arte que tantas memórias me trazem."
postado como comment aqui

7.5.07

carambas (ou a crise das fotos para o GIM-Hum)

Para conseguir isto:

foi preciso isto

(e uma irmã e uma tia muito persistentes)

6.5.07

há muito tempo que não tenho tempo, nunca o tive tão pouco e nunca fiz tanto dele
apesar de já desanimada e cansada, dá-me gozo ver o que já fiz, estive a tarde inteira a fazer tabelinhas bonitas para me facilitar o spss que vou adiando

decidi nunca deixar de fazer nada por estar cansada
desdobro-me, atraso-me, mas se quero mesmo, faço.

nestas duas últimas noites deitei-me às 8h00 e às 6h30. Acordei às 12h e às 10.30h, respectivamente. Toquei no timbalão com muita vontade, dei caminhadas muito longas que me souberam bem. Vi coisas tristes e ouvi outras que não sei o que pensar.

ainda não consigo ser, não dá, não dá, não sei que raio fazer para encontrar o meu espaço
ontem fui tratada como um animal de feirinha por ser a pessoa mais esquisita que o p. conhecia. não gostei...não sou
uhm
ó. há coisas que me deixam um bocado triste e de mãos atadas.

não queria que amanhã fosse segunda.

o luís fez anos na...no dia 2. nesse dia, há um ano atrás, tive uma das noites mais bonitas da vida, mesmo daquelas em que está tudo alinhado e ninguém fala e é tudo...gracioso. decidimos ir ao mirador de s. nicolas, eu a rita e a joana. a subir o albaycin o luís telefonou-me e falámos até chegar lá acima. já aí, sentamo-nos e olhamos o alhambra, caladas. depois começa a trovejar e ninguém diz nada. trovões majestosos por cima daquela cidade e nós ali, parecia que quase ao mesmo nível. e chuvisca. e claro, dos hippies não nos livrávamos e um velho toca a guitarra e outro um djambé e começam a dançar...fogo...as festas de comemoração dos solstícios devem ser assim. foi tão lindo.

que merda de cidade, esta.

29.4.07

lonely weekends

este é o resultado de uma tarde de domingo, de 3 horas a recortar biscoitos e a levá-los ao forno.
fiz aí uns 200. ok, 100 é mais modesto. mas foram muitos.




vou contá-los e depois digo.

24.4.07

e por falar em origens

retorno às origens

Já tinha saudades de acordar tão mal disposta como acordei hoje.

bom dia, vida