22.8.08

da cati













62. Go to Andanças

já está. finalmente consegui ir ao andanças. depois de 4 anos de tentativas falhadas aterramos em carvalhais. o trio maravilha e a sua tenda-palácio. já falámos sobre isto: depois de tantos anos de relatos levava as expectativas tão altas, parecia que tinha estado lá nos outros anos também e que faltava qualquer coisa. diluído a água, como dissemos. mas ainda assim soube-me a novidade, soube-me bem. e descobri que, afinal, adoro dançar.
até o vira dancei - eu, que no auge da minha rebeldia adolescente tinha alergia a todas as coisas que pudessem evocar minimamente o tradicional.
percebo agora de onde nasceu essa paixão sobre as tradições. percebo porque é que os teus anos acabavam e começavam no andanças. é pela descoberta que ganha a impulsão, segundo o que me contavam os momentos ainda se viviam mais do que agora e já estes foram bem vividos. agora temos muitos pontos de interrogação, é certo, mas também temos mais sonhos, mais projectos. podia começar uma lista inteirinha e nova só com mais coisas que quero fazer. e não é que a moda das listas pegou? :)


diz aquela já mais que badalada frase que só te deves arrepender daquilo que não fizeste. eu arrependo-me de não me ter esforçado mais nos outros anos para ir ao andanças (mesmo sabendo quase impossível).

e devíamos ir acampar mais vezes. devíamos tirar fotos juntas mais vezes. é incrível as poucas fotos que temos dado o tempo que passamos juntas. agora, as coisas que temos como garantidas vão ser mais difíceis, vai ser cada vez mais difícil encontrarmo-nos todos no mesmo sítio. mas isso já não é nada a que não esteja habituada. fico feliz por saber que há coisas que não se determinam pela proximidade. e ainda bem.
e sim, está na altura de mudar o fundo disto. embora eu goste muito, muito de como ele está agora. bota roxo? =P

17.8.08

um fado qualquer

aquela letra sobre loucas em vielas
lembrou-me de uma das minhas músicas favoritas de quinteto tati:

E enfim, estava tudo bem ou coisa assim: o apartamento confortável, bom design, um amor normal e tal. Em vão procurou razões de exaltação e voltou para casa muito, muito devagar, como quem não quer chegar. Pensou nos tempos que em festas e dramas bebeu pelos becos, dançou nas vielas, pôs todos os homens a cantar. Mas hoje à noite, se um fado qualquer soar estafado na sala de estar, talvez se aguente sem nada dizer, enchendo a boca durante o jantar.


visualiza e vês como é triste e normal

deo linda


ainda bem que o tempo passou
e o amor que acabou não saiu
ainda bem que há um fado qualquer
que diz tudo o que vida não diz
ainda bem que lisboa não é a cidade perfeita para nós
ainda bem que há um beco qualquer
que dá eco a quem nunca tem voz

ainda agora vi a louca sozinha a cantar
do alto daquela janela
há noites em que a saudade me deixa a pensar
um dia juntar-me a ela
um dia cantar como ela

ainda bem que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela a seguir
ainda bem que o tejo é lilás
e os peixes não páram de rir
ainda bem que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta do meu

ainda bem se o destino quiser
esta trágica história
sou eu

Pedro da Silva Martins.

é daquelas coisas estúpidas
que há meses que vejo o desenho da deolinda, ainda antes de se darem cara, e achava piada. contudo - parte estúpida - nunca os ouvi.
ontem recebi um e-mail da rosa com o album e não páro de o ouvir (com o repeat nesta música)
são muito originais e divertidos. mesmo mesmo brilhante ideia, bem conseguida. parece até que é fácil, se calhar é.

14.8.08

lembrei que quero fazer o post do balanço, do meu ano. mas antes tenho de decidir se esse já terminou ou ainda está por terminar. para dizer a verdade, não sei do que estou à espera para decidir.
os meus começam em setembro mas este não é, ou não foi, um ano normal

queria falar de outra coisa

(lembrei-me, já mudávamos, de novo, o aspecto do blog. merecemos, apesar de este ser muito bonito)

pelo quinto ano consecutivo, fui ao andanças
trago sempre de lá coisas, venho sempre feliz e preenchida. do penúltimo, por exemplo, trouxe uma coisa bem grande chamada joão.
deste ano sinto-me de mãos a abanar, não me tocou no fundo.
à excepção da belíssima rosa, da inexplicável ana, da formidável vera, do zé williams e do convívio com os meus dois amores, não presenciei momentos que me fizessem suspirar. (revivi-os, mas isso são contas de outro rosário)

não sei bem se fiquei triste, alguma vez teria de acontecer
e também não encontro boas razões para fundamentar isto
expectativas demasiado altas?

parece que estou a diminuir as pessoas, o andanças valeu-me pelas pessoas

tudo isto para dizer outra coisa
já tinha pensado nisto mas vim de lá com esta ideia mais reforçada

decidi juntar-me a um rancho folclórico. aqui no minho há imensos e tenho a sorte de ter uma tia no grupo folclórico dr. gonçalo sampaio. pelo que me apercebi hoje, o grupo mais antigo de braga é também o grupo mais rigoroso na manutenção da cultura minhota (valha-me deus as socas e o cabelo preso que não há alternativa!)

e eis que descubro hoje também

que este grupo tem um cancioneiro editado e um manual de danças bem à estilo do pedro homem de mello. oh felicidade, é um grupo que se dedica à recolha no terreno - cinge-se ao alto e baixo minho - e passa-a depois para os palcos, e em 1989, para livros. estão aqui à minha frente.

os meus tios do brasil regressam
vou fazer uma coisa
ele é o meu tio preferido
é como a minha mãe, mas homem

é o irmão mais velho
foi para as filas do pão
foi para o brasil fugir da guerra
por lá ficou

e quero que ele me conte, me escreva, as suas memórias
porque é só quando ele cá vem
que descubro que meu bisavô matou homens
que meu avô mantinha a tasca que depois se tornou oficina do meu pai
e que a minha avó vendia cerejas

isto é mais para mim
agora penso que este blog é-me diferente
porque sei-o lido por mais pessoas que não só tu
às vezes é bom
aliás
até ver não tem sido mau.

vou ver os jogos olímpicos
só apanho ginástica masculina, valha-me deus
e joui
parece que havia chinesinhas bem mais novinhas, tens olho

31.7.08

olha nós


num raríssimo momento de contacto físico, de aperalte, de comemoração massificada


esvaziei o cartão da máquina e encontrei algumas fotos interessantes. tipo o meu local de trabalho, o itensivo, do último mês

Valença


fiz biscoitos biscoitos




de chocolate e mirtilo

30.7.08

a joui às vezes escreve assim

sms 1: tava aqui a pensar quando é que a tradição portuguesa me começou a fascinar (sim, também me fascina, embora como mera curiosidade, ou sentimento luso, se lá), e sabes quando foi?

sms2: quando foste para a suiça?

sms3: exactamente. quando percebi que casa era aquilo que cada um trazia consigo da terra e como não era paisagem, nem cheiro, nem a terra em si, era aquilo de que mais fiel tinham. por isso é que os emigrantes são parolos, porque preservam, com as devidas adaptações, a única coisa que os identifica. juntando esse esforço de preservação à vontade de integração, temos uma terra de ninguém, que nem a comunidade de partida, nem de destino compreendem. "cá sou imigrante, lá sou estrangeiro" e tudo acaba por inverter o ditado, porque afinal de contas "the heart is where home is". Uf! :)

29.7.08

leituras de verão #1

uma das coisas que eu mais gosto nas férias de verão, à parte o facto de serem apenas isso - férias - é que posso pegar em livros que não tenho tempo ou disposição para ler durante o resto do ano e lê-los, devagarinho, rápido, ao ritmo que eu quiser, com as interrupções que forem necessárias, com as releituras que bem me apetecer.

se durante o resto do ano tenho uma única posição para ler - deitada de lado na cama, com o braço a apoiar a cabeça, mesmo antes de adormecer - agora posso rebolar na cama, ler na relva de barriga para baixo, salpicar as páginas de areia, sol e sei lá bem mais o quê.

leituras de verão parece estranho, parece que as leituras ficam apenas reservadas para esta altura, como se no resto do ano se andasse num torpor iliterário, sem ideias novas, sem vontades novas. a verdade é que não houve outro verão na vida que eu desejasse tanto como este, precisamente por isso: poder ler aquilo que bem me apetecer. fora o resto, claro, mas isso são outras paragens.

para aquecer:

p.s. - gosto da ideia de abolir as maiúsculas por aqui :)