8.3.09

que hora es?

como disse, regressei.
foram só dois dias, na verdade. mexeram muito comigo. começo a pensar em coisas diferentes, afastar-me um bocado do meu plano. bem, não muito. só inseri uma coisa nova. gostava de voltar a viver lá. depois destes dias cinzentos, aquilo é toda a luz e toda a música que sempre me falta.

estive com a cati. sempre que estamos juntas é bonito, é predestinação. conheci alguns sítios novos, regressei a casa a outros (ADORO o bagdad). tive uma bebedeira muito intensa e espectacular. confessei que todas as mulheres portuguesas fazem o bigode pelas manhãs. estrago a reputação junto aos amigos da cati e depois fujo.



mas estes tipos sabem mesmo curtir a vida.



olá alhambra, sempre imponente, sempre ali



estive com a ritinha, for old times sake



finalmente, o rincón de michael landon!



recuerdos: las balengas, stencil de noites acaloradas



num momento está-se a ouvir flamenco e depois isto. por todo o lado há musica, cores. este foi um dia perfeito, o primeiro de sol, os frikis sairam das tocas



pizza na catedral



alhambra, amigos antigos, amigos novos, stop, paseo de los tristes



que caralhas

6.3.09

pausa

regressei a granada três anos depois. não estou sozinha, mas cheguei sozinha. foi a melhor coisa que podia ter feito, foi ter saído no início da gran via e seguir caminho rumo a casa. passei pela casa antiga, chovia e as pessoas sorriam. aqui ficam felizes quando chove, é raro.

tive a viagem mais aborrecia que me recordo. com um episódio de filme numa estação de serviço. uma mulher de 63 anos deu-me quatro grandes conselhos de vida. vim a viagem a pensar neles, e em como os cumpro quase todos. o que não cumpro, é a minha fraqueza "sê fraca com os fracos e forte com os fortes".

mas é isto. a minha cidade, não sei explicar. passeio e os cheiros são os mesmos e é perfeito, sinto-me feliz aqui.

comi gelados, comprei flores, comi muito, bebi muito e ainda só passaram dois dias. é relaxante saber que isto conheço eu bem, e que o que faço aqui é só estar bem acompanhada e pensar em como tenho de tomar decisões, porque os meus dias aí não me fazem feliz. é aqui de longe que me apercebo de tudo.

e sei que só estou a receber exactamente o que pedi. enganei-me.

2.3.09

a cidade e as serras




mas ainda há cidades com cheiro a terra. e não sei o que se passa comigo e com as portas.

27.2.09

à espreita

26.2.09

vinhais

fui passar o carnaval a vinhais. depois de me tentar lembar, apercebi-me que trás-os-montes não tem memória alguma em mim, além de umas breves horas em bragança ou mirandela. aqui passei quatro dias, numa vila de que não sabia nada, apenas que usavam máscaras no natal, e que soltavam diabos na quarta de cinzas.

é de paisagens tão tranquilas, de ar tão puro e verdes tão verdes (e inesperados), no meio de árvores secas e estaladiças

mas o melhor de tudo, são as pessoas. assim, em conversas, fiquei a saber que esta figueira seca, que nunca deu fruto nem flor, que está nesta igreja (e fartei-me de cantar as freiras de santa clara, porque o convento fica mesmo ao lado) apareceu - conta a lenda - depois do padre ter dito na missa "o espírito santo é tão verdade como vai nascer uma árvore no topo da igreja!" e olhem, nasceu.

ou então uma outra, de outra pessoa, que afinal disse que o que o padre disse foi "é tão verdade como agora uma criança se afoga no rio tuela" mas já não me lembro onde entra a figueira aqui...era disto que tinha medo, de me esquecer. bem. é que havia mesmo uma criança a afogar-se.

em vinhais, a senhora do posto de turismo ofereceu-me o primeiro volume do livro "folklore de vinhais". disse que não era livro que se vendesse, porque tinha os cantinhos dobrados.


engraçado, dada a tradição diabólica que infelizmente perdi.




andei tanto tanto, nem dei por ela, mas foi o que disseram. parece que as minhas caminhadas diárias me servem para alguma coisa afinal. tenho a pele toda estalada, do sol e do frio. passei a pior noite da minha vida. os dois graus negativos da noite foram demasiado para mim...
fiquei maravilhada com a quantidade de ovelhinhas que nascem todos os dias por ali. todo o rebanho tinha uns bebés, dei leite a ovelhinhas!!


e a pastora, que nos corrigiu dizendo que foi "erro do gprs"

em travanca, começou o fartote de chouriço em tabernas. na tasquinha do zé encontrei estes três senhores tão simpáticos que até foram buscar os cães para posar para a foto. fomos com eles e as queixas começaram. não há gente nova, não se pode sobreviver da lavoura, há uma criança aqui, morrem mais do que nascem...e outras histórias, como a do merendeiro comido com mãos de mexer o estrume. e foi o que melhor lhe soube toda a vida!

chouriço e broa caseiros

neve na serra da coroa
as portas de santa cruz eram verde água

as portas de santa cruz tinham corações

as portas de santa cruz eram de tantas cores

as ruas de santa cruz escreviam-se na parede

"Oh filha não que sou feia, já sou mui vielha". tinha 93 anos.


a barragem da prada


andamos de tractor
celebramos o carnaval como deve ser.gaitas, bombos, churrasco, pasteis de vinhais
e a cereja no topo do bolo: fomos cabeçudos no desfile!


estava tão feliz lá, que me escrevi uma carta. foram dias perfeitos, hm hm.
joana

23.2.09

apple tart cake

esta é a tarte que eu fiz na sexta-feira. ficou deliciosa. da outra vez que tinha experimentado, alguma coisa correu mal e ficou demasiado doce, demasiado amanteigada, um exagero. desta vez, usei maçãs bem ácidas, menos açúcar, menos manteiga. ficou perfeita. e deliciosa com double-crème.

passear #2

coisas da vida

andava eu a passear pelos lados da catedral de lausanne, nesta manhã fria de fevereiro. com a máquina ao pescoço e a chuva a salpicar-me as bochechas, e o cabelo e (deus!) a máquina, andei por caminhos que não conhecia muito bem.

e eis que de repente, ao longe, avisto algo que me chama a atenção.


"maison du tricot?! venho a esta cidade aí umas 5 vezes por ano e não sabia que havia uma maison du tricot?!" - pensei eu. na verdade, há sempre cantos de uma cidade que uma pessoa não conhece. "nem é tarde, nem é cedo. deixa lá ver como é que eu chego lá." a catedral de lausanne fica no alto de uma colina. a maison du tricot parecia ficar na colina em frente. então, meti pés ao caminho e as minhas antenas sempre orientadas para aquele lado. gulosa, já a pensar em fileiras e fileiras de lãs, todos os modelos imagináveis de agulhas, acessórios. revistas com modelos de tudo e mais alguma coisa.

até andei mais rápido. cheguei aqui e apercebi-me que o que tinha visto as traseiras do prédio. andei mais um bocado. contornei o bloco de prédios, fui dar a uma rua perpendicular à última, subi a perpendicular dessa que, por sua vez era paralela à primeira. puf puf puf, passo o cabaret night club que supostamente era ao lado. procuro uma montra cheia de lãs e coisas boas. não vejo nada. procuro melhor...

"la maison du tricot" era uma boutique (de Senhora). e sim. o emprego de S maiúsculo foi propositado.

** em contrapartida, numa das ruas que me levou até lá, passei por um sítio que dizia "papeterie" e fiz uma nota mental de voltar lá depois das lãs. com dois andares cheios de material de pintura, papel, autocolantes, material de escritório, plasticinas, tintas para roupa, tintas para tudo e mais alguma coisa, duas estantes cheias de carimbos e acessórios para carimbos, tudo aquilo que possas querer/imaginar para fazer coisa bonita, algo me diz que tenho uma nova loja preferida.

19.2.09

passear

olá suissinha

quando cheguei, estavas envolta numa tempestade branca. andámos devagarinho na autoestrada para não patinarmos no gelo com os pneus de inverno. e eu pude exclamar muitas vezes "oh que bonito" cada vez que nos apresentavas mais uma paisagem invernosa espectacular.

ontem deixaste-me ir passear no parque, e eu fui. pensando bem, talvez vá outra vez hoje.

não fiz um boneco de neve, mas houve quem o fizesse para eu me rir um bocadinho.

podias fazer isso mais vezes, suissinha. gosto de passear nos teus parques com a neve a partir-se debaixo dos meus pés e a fazer crunch crunch crunch a cada passo que dou.

18.2.09

crunch


snowy crunch from Joana Osório on Vimeo.

domingo

já há muito tempo que não saía de casa, para não dizer da cama, num domingo de manhã em que não tivesse programa. os domingos são sempre para pôr o sono em dia, acordar, virar para o outro lado e voltar a adormecer. fazer mossa no colchão.

mas este foi diferente.

ela pediu. o céu espreitava assim pelo telhado do prédio.

e assim pegámos nas bicicletas. ela a cair de cada vez que parava, porque os pés não chegavam ao chão da bicicleta do teu irmão. e eu a dar à perna só para conseguir mover os pedais ferrugentos da minha bicicleta velha (nem quero pensar no que o mecânico das bicicletas terá dito quando o meu pai lhe levou aquilo para arranjar)

a minha querida amiga bicicleta preta. recebi-a no primeiro natal que passamos em inglaterra. ou terá sido no segundo? já não me lembro bem. puseram-me a roda no sapatinho e o resto no sótão (que uma vez teve uma colmeia verdadeira e tiveram que chamar os exterminadores, mas isso é outra história). num desses natais, também recebi o meu saco-cama que já foi comigo a tanto lado, e ainda dura. (e fez 15 anos que fomos, no dia 14 de fevereiro)


demos uma voltinha. pequena que foi. mas domingos solarengos são bons para pôr a roupa a secar ao pé do rio este, e para meninas ciclistas trapalhonas andarem a tirar fotografias à socapa.