20.8.08
take 1: preparação das festas da agonia, viana 08
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cursed eyes
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9:14 p.m.
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17.8.08
um fado qualquer
aquela letra sobre loucas em vielas
lembrou-me de uma das minhas músicas favoritas de quinteto tati:
E enfim, estava tudo bem ou coisa assim: o apartamento confortável, bom design, um amor normal e tal. Em vão procurou razões de exaltação e voltou para casa muito, muito devagar, como quem não quer chegar. Pensou nos tempos que em festas e dramas bebeu pelos becos, dançou nas vielas, pôs todos os homens a cantar. Mas hoje à noite, se um fado qualquer soar estafado na sala de estar, talvez se aguente sem nada dizer, enchendo a boca durante o jantar.
visualiza e vês como é triste e normal
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cursed eyes
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12:34 p.m.
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deo linda
ainda bem que o tempo passou
e o amor que acabou não saiu
ainda bem que há um fado qualquer
que diz tudo o que vida não diz
ainda bem que lisboa não é a cidade perfeita para nós
ainda bem que há um beco qualquer
que dá eco a quem nunca tem voz
ainda agora vi a louca sozinha a cantar
do alto daquela janela
há noites em que a saudade me deixa a pensar
um dia juntar-me a ela
um dia cantar como ela
ainda bem que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela a seguir
ainda bem que o tejo é lilás
e os peixes não páram de rir
ainda bem que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta do meu
ainda bem se o destino quiser
esta trágica história
sou eu
Pedro da Silva Martins.
é daquelas coisas estúpidas
que há meses que vejo o desenho da deolinda, ainda antes de se darem cara, e achava piada. contudo - parte estúpida - nunca os ouvi.
ontem recebi um e-mail da rosa com o album e não páro de o ouvir (com o repeat nesta música)
são muito originais e divertidos. mesmo mesmo brilhante ideia, bem conseguida. parece até que é fácil, se calhar é.
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cursed eyes
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12:16 p.m.
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14.8.08
lembrei que quero fazer o post do balanço, do meu ano. mas antes tenho de decidir se esse já terminou ou ainda está por terminar. para dizer a verdade, não sei do que estou à espera para decidir.
os meus começam em setembro mas este não é, ou não foi, um ano normal
queria falar de outra coisa
(lembrei-me, já mudávamos, de novo, o aspecto do blog. merecemos, apesar de este ser muito bonito)
pelo quinto ano consecutivo, fui ao andanças
trago sempre de lá coisas, venho sempre feliz e preenchida. do penúltimo, por exemplo, trouxe uma coisa bem grande chamada joão.
deste ano sinto-me de mãos a abanar, não me tocou no fundo.
à excepção da belíssima rosa, da inexplicável ana, da formidável vera, do zé williams e do convívio com os meus dois amores, não presenciei momentos que me fizessem suspirar. (revivi-os, mas isso são contas de outro rosário)
não sei bem se fiquei triste, alguma vez teria de acontecer
e também não encontro boas razões para fundamentar isto
expectativas demasiado altas?
parece que estou a diminuir as pessoas, o andanças valeu-me pelas pessoas
tudo isto para dizer outra coisa
já tinha pensado nisto mas vim de lá com esta ideia mais reforçada
decidi juntar-me a um rancho folclórico. aqui no minho há imensos e tenho a sorte de ter uma tia no grupo folclórico dr. gonçalo sampaio. pelo que me apercebi hoje, o grupo mais antigo de braga é também o grupo mais rigoroso na manutenção da cultura minhota (valha-me deus as socas e o cabelo preso que não há alternativa!)
e eis que descubro hoje também
que este grupo tem um cancioneiro editado e um manual de danças bem à estilo do pedro homem de mello. oh felicidade, é um grupo que se dedica à recolha no terreno - cinge-se ao alto e baixo minho - e passa-a depois para os palcos, e em 1989, para livros. estão aqui à minha frente.
os meus tios do brasil regressam
vou fazer uma coisa
ele é o meu tio preferido
é como a minha mãe, mas homem
é o irmão mais velho
foi para as filas do pão
foi para o brasil fugir da guerra
por lá ficou
e quero que ele me conte, me escreva, as suas memórias
porque é só quando ele cá vem
que descubro que meu bisavô matou homens
que meu avô mantinha a tasca que depois se tornou oficina do meu pai
e que a minha avó vendia cerejas
isto é mais para mim
agora penso que este blog é-me diferente
porque sei-o lido por mais pessoas que não só tu
às vezes é bom
aliás
até ver não tem sido mau.
vou ver os jogos olímpicos
só apanho ginástica masculina, valha-me deus
e joui
parece que havia chinesinhas bem mais novinhas, tens olho
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cursed eyes
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11:39 p.m.
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31.7.08
esvaziei o cartão da máquina e encontrei algumas fotos interessantes. tipo o meu local de trabalho, o itensivo, do último mês
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10:02 p.m.
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30.7.08
a joui às vezes escreve assim
sms 1: tava aqui a pensar quando é que a tradição portuguesa me começou a fascinar (sim, também me fascina, embora como mera curiosidade, ou sentimento luso, se lá), e sabes quando foi?
sms2: quando foste para a suiça?
sms3: exactamente. quando percebi que casa era aquilo que cada um trazia consigo da terra e como não era paisagem, nem cheiro, nem a terra em si, era aquilo de que mais fiel tinham. por isso é que os emigrantes são parolos, porque preservam, com as devidas adaptações, a única coisa que os identifica. juntando esse esforço de preservação à vontade de integração, temos uma terra de ninguém, que nem a comunidade de partida, nem de destino compreendem. "cá sou imigrante, lá sou estrangeiro" e tudo acaba por inverter o ditado, porque afinal de contas "the heart is where home is". Uf! :)
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cursed eyes
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12:53 a.m.
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29.7.08
leituras de verão #1
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joui
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10:54 a.m.
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26.7.08
michel giacometti
enquanto procurava imagens do dussaud, deparei-me com homenagens ao michel giacometti. o nome era-me familiar, especialmente porque já tinha lido o tiago pereira falar sobre o seu trabalho de recolha e espólio blindado nos arquivos públicos-não-muito-públicos da rtp. mas, de resto, uma vez mais temos um francês encantado com portugal, suas culturas e seus hábitos.
(e o museu do trabalho michel giacometti que está em setúbal e eu não sabia? tantas vezes passei por ele e só via museu do trabalho com um manequim dos correios na montra...)
veio para portugal no final dos anos cinquenta, interessando-se pela recolha e gravação de música popular portuguesa. percorreu o país de lés a lés nos vinte anos seguintes, radicando-se nas localidades mais resquecidas e longínquas, recolhendo criteriosamente as expressões musicais genuínas do nosso povo. dizem que é ainda o dele o mais exaustivo levantamento da cultura musical portuguesa, com centenas de instrumentos musicais, fotografias, recolhas de literatura popular e instrumentos de trabalho.
Editou com fernando lopes graça uma antologia da música regional portuguesa (1963, em cinco volumes) - que eu quero muito encontrar - e, em 1981, um cancioneiro popular português. "foi ainda autor de uma série de documentários televisivos, sob o título povo que canta. grande parte do seu espólio musical (também pertencente ao acervo do museu nacional de arqueologia e etnografia, em Lisboa) encontra-se ainda por editar ou organizar." (by wikipedia)
Foi esta antologia o fruto das primeiras pesquisas que Giacometti realizou em Portugal. Pôde contar com a preciosa colaboração de Fernando Lopes Graça, patente na selecção dos trechos musicais e na análise musical dos mesmos. A reedição conservou as palavras explicativas de Giacometti e os importantes textos de Graça. Embora não comporte as fotografias da pesquisa, que muito a enriqueceriam, incluiu as letras dos cantos, sempre importantes para uma melhor compreensão e acompanhamento.
É muito de louvar esta reedição dos célebres «discos de serapilheira», que na altura alcandoraram Michel Giacometti a um lugar destacado na etnomusicologia portuguesa. Foi desde logo o impacto fortíssimo do primeiro disco da série, dedicado a Trás-os-Montes, que trouxe aos intelectuais citadinos tradições e sons longínquos de um campo que inteiramente desconheciam. (attambur.com)
Ui, que agora já descobri mais nomes, e anteriores!
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cursed eyes
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4:10 p.m.
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20 - Visitar o museu da imagem em Braga
esta semana, no primeiro dia de férias, fui com a rita e a joui ao museu da imagem. uma casa antiga e remodelada que está a paredes meias com o arco da porta nova - a entrada da cidade que nunca teve portas (conhecem a expressão "deixaste a porta aberta é porque és de braga"? pronto).
as duas irmãs, 1983
nunca lá tinha entrado e não podia deixar escapar esta exposição, crónicas portuguesas de georges dussaud. acompanhada lá fui. apesar de ter trabalhado num museu quando andava no liceu - nas férias do mesmo, claro - ainda sinto aquele pudor ridícilo de entrar sozinha num sítio desconhecido. nunca fui a um museu com os meus pais, não fui habituada nesse sentido, e odeio que a cultura me pareça estar na prateleira de cima, difícil de alcançar. porque normalmente está, mas quando não está, há que agarrá-la e aproveitá-la. e o que custa é começar, porque lá irei muitas mais vezes.
não compreendo como é que é preciso um estrangeiro vir a portugal, apaixonar-se por portugal, querer prolongar portugal e fazer este extraordinário trabalho de recolha e registo de vidas e tradições. quer dizer, compreendo, e até me alegro. é-lhe mais fácil ver coisas que não vemos, reconhecer maravilhas perecíveis que nós não cuidamos, porque não as vemos.
esta foi a minha favorita. quando vamos ao gerês?
agrelos, serra do barroso
as cores a preto e branco, fizeram-me imaginar estes cenários nos 60's e 70's. não, são a partir dos anos 80. não devem ter mudado muito desde o tempo em que os imaginei, e se calhar não devem ter mudado muito até agora. e cheguei à conclusão que - e não há escapatória à minha indiferença quanto ao mar (às vezes desaparece) - que as fotografias à beira mar, de pescadores, de sargaceiras me eram bonitas, muito. mas as fotografias no interior, de hortas, agricultura e crianças livres (livres?) me eram muito mais.
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cursed eyes
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3:31 p.m.
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25.7.08
23.7.08
para as férias
é óbvio que acabei
QUERIDOS LEITORES E LEITORAS
ESTOU DE FÉRIAS!
hoje, defendi a minha tese de mestrado, e correu melhor do que imaginei, e mal terminou fui à biblioteca entregar "Fêtes d'Europe" e "Etnologia Minhota" e trouxe estas pérolas que aqui vos mostro.
agora, sem peso nas consciência, com o futuro em branco (mais ou menos, em cinzento clarinho) posso fazer o que eu quiser.
e o que eu quero é devorar estes livros.
e sei lá que mais
terminou o pior ano de sempre
estou feliz só por isso, ficaria feliz só por isso.
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cursed eyes
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3:48 p.m.
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20.7.08
17.7.08
saber o que se quer
ah, estou animadissima com o meu trabalho
e 5 minutos depois
oh, porque raio é que eu quero fazer um doutoramento?
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joui
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16.7.08
heatwave
ou eu estou mais uma vez a fazer as coisas à última da hora, como sempre
ou então só se trabalha mesmo quando a brisa fresca de fim de tarde começa a entrar pela janela.
estes dias têm estado bons para fazer aquilo que eu não posso: sentar à sombrinha ou na borda do mar, piscina ou lagoas (nisso, não sou nada, nada esquisita).
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joui
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8:24 p.m.
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isto
já ultrapassa qualquer tipo de procrastinação possível e imaginável.
isto já devia estar arrumado. não consigo concentrar-me, em dois dias consegui construir cinco diapositivos e não vejo forma de voltar a pôr a cabeça neste trabalho quando ela já estava lançada para longe, bem longe.
i want to get on with it and now i'm stuck.
felizmente que numa semana estará tudo acabado.
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joui
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7:47 p.m.
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15.7.08
14.7.08
8. do an Interrail, even if a small one
a rita já resumiu a viagem em imagens.
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joui
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6:02 p.m.
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