14.4.09

barcelona - coisas das ruas e pequenos momentos

mas há coisas que nem precisam de ser incontornáveis, nem andar de nariz no ar para encontrá-las. pequenos recantos, instantes que se apanham, com sorte, na máquina. mas que valem por si só, por serem gratuitos e inesperados. como se fossem acidentes.

não tinha ido a este jardim da outra vez. mas vi que tinhas escrito no meu livro que valia a pena e lá fomos nós. na capela do antigo hospital, havia uma exposição, onde um velho senhor meteu conversa comigo e insistiu noutros recantos da sua barcelona que eu devia visitar. e que falar diferentes línguas era como cantar. a linguagem é música, dizia ele.

"las palabras no tienen absolutamente ninguna posibilidad de expresar nada. en cuanto empezamos a verter nuestros pensamiento en palabras y frases todo se va al traste." [marcel duchamp]
já me tinha ocorrido...
um portão com pinta
e a sinalização de saída dos becos da cidade vielha, que se entrelaçam, se torcem e se cosem. e onde chineses me vieram pedir indicações e eu fiz de conta que era dali.

o endereço mais engraçado de se escrever, carrer d'en tantarantana. dá vontade de o cantarolar.

e que nos levou até ao museu de chocolate.

que por si só é uma desilusão e uma perda de tempo, exceptuando os bilhetes que são barrinhas de chocolate negro. mas tem a particularidade de estar inserido numa escola de pastelaria que tem uma vitrine com muitos metros por onde podemos espreitar para uma das salas de aulas. e onde fiquei seguramente uma hora a ver pasteleiros-to-be a amassarem massa folhada, a fazerem ovos de chocolate artesanais e a cobrirem triângulos de massa folhada com uma pasta de merengue que os deverá depois tornar em jesuítas... escusado será dizer que foi preciso arrancarem-me, e à rita, de lá. pergunto-me se não seria uma vocação mais apropriada para mim, aprendiz de pasteleiro.

e uma farmácia à maneira. eu tornava-me cliente, seguro.

andar de guarda-chuva na rua e ir às compras de carrinho. como se fôssemos da casa.

barcelona - de nariz no ar

mas barcelona não são só os incontornáveis. desde que comecei a procurar para além do óbvio com o meu olho fotográfico, comecei a encontrar outros pormenores em todo o lado, sobretudo acima, muito para cima da minha altura.

os meus novos objets de désir: primeiro as árvores, depois as nuvens. agora colecciono-as.


e barcelona é um nicho. em todo o lado se tropeça em pequenas curiosidades, pequenas belezas.

e anda-se sempre com o nariz em todo o lado. no ar, da esquerda, para a direita, a tentar absorver tudo. era capaz de viver aqui anos e anos e ainda admirar-me com algo diferente todos os dias.






um enquadramento que eu gosto



barcelona - incontornáveis

aqui estão, as tanto esperadas fotografias da semana que passei em barcelona.
o que gosto tanto desta cidade, é das suas múltiplas facetas. onde se pode fazer tudo, onde se pode ser tudo e o que se quiser.

ficámos numa casa de família. antiga, encantadora, grande. assim que entrei na porta, fiquei com vontade de me apropriar dela e de fazer dela minha. era o chão da cozinha, as paredes, os candeeiros, os espelhos. queria tudo.

e durante os dias que passeámos, os incontornáveis.

la pedrera

a casa battló

e a eterna inacabada sagrada família.

o parque güellque mesmo visitado e revisitado, é inspirador, é sempre espectacular


o museu picasso

a catedral

o mercado, onde só dá vontade de ser habitante de barcelona para poder fazer lá compras todos os dias

e o montjuïc, num dia chuvoso, em que andamos encharcados até chegar a casa

13.4.09

basta

basta sair de casa determinada
assim
hoje vou tirar fotografias
mas chove!
sa quilhe
hoje vou tirar fotografias

que se começa a olhar para cima
e a ver coisas sórdidas
que nos fazem lembrar filmes
e depois que os filmes se baseiam na vida
e só devemos estranhar a vida - e não os filmes


há enquadramentos perfeitos - que eu não consigo captar


enquadramentos reais, ou da época.
como hoje, foi páscoa na cónega, na rua da boavista
fui lá sozinha, chovia, estava tanta gente
era tão familiar mas não me senti intrusa por um momento

as colchas às varandas
as flores a cair
a banda filarmónica
tanta gente a entrar e a sair, que rebuliço!

queremos deus
queimar o judas
as quatro cruzes reunem-se
atrás a banda, já bebeda
e atras, bêbedos, os amigos, a família, a comunidade a parar o trânsito, a cantar pelas ruas, a enchê-las, abraçados
que bonito!
mesmo aqui na ponta do meu nariz empinado
e eu nunca vi!
é só estar alerta
ou decidir que é hoje que se vai estar
e se vai explorar

amanhã vou continuar a ser exploradora.
hm hm

11.4.09

i'm back


30.3.09

Did You Know

24.3.09

finalmente, fui a guimarães ver a mackay.
apesar de não acreditar, foi principalmente por ela que fui, e não pelo centro vila flor - que não conhecia e gostei muito




comemos ameixas e conversamos, enquanto ouviamos música e putos "se eu fosse como tu já estava no teatro".

entre outras coisas obscenas, um jesus verde de agonia



eu, ursa
no domingo fomos fazer a via romana XVII, póvoa de lanhoso-braga. fizemos póvoa de lanhoso-braga, mas não pela via romana.


tive um fim de semana bonito, fácil.

21.3.09

s. josé

visita relâmpago

foi-se embora tão de repente como veio
mas ainda tivemos tempo de passear e de respirar o ar pré-primaveril, e aproveitar esta luz que ele não tem lá

fomos até ao gerês e passeámos nas calmas por volta da milha xxvi da geira romana, com os cenários tão típicos da região

o milho a secar num espigueiro

os locais a tomar conta das colmeias. ficámos a saber que cada caixote daqueles pode produzir até 6-8l de mel. e depois fugimos quando uma abelha ficou presa no cabelo do zvo e ele desatou aos pinotes para tentar sacudi-la

vimos um sardão. o zvo costumava apanhá-los e torturá-los e diz que eles atacam mulheres. ele estava a olhar para mim de canto, mas eu gostei das tatuagens dele. é um ménão, este.

apesar da vegetação, o sol bate forte aqui. se continuássemos, iríamos dar a algures perto da mata da albergaria, mas voltámos para trás.

e o meu novo fetiche fotográfico são as árvores.

e lá se foi o fim de semana e, com ele, o zvo. e eu acabo de reparar que verduras e montes e natureza têm sido temas recorrentes nos meus posts. porque têm sido os meus momentos que mais valem a pena contar?

ainda bem que chegou a primavera...

19.3.09

uma digna mistela

também gostava de vos falar sobre uma mistela que magiquei no único dia que chegamos a casa suficientemente cedo para eu cozinhar para a minha tia. como eu faço uma ronda quase diária por alguns muitos blogs de culinária, nesse dia tinha-me chamado a atenção uma receita de massa com legumes no forno e tuna noodle casserole. e apeteceu-me juntar os dois.

o que aconteceu, foi que saquei de legumes que estavam para lá perdidos no frigorífico: uma cenoura, metade de um pé de brócolos, umas folhas de repolho verde-escuro, uma courgette, uma cebola roxa e bastante alho. tudo finamente cortado, regado com molho de soja, azeite e uns salpicos de vinagre, assim como algumas castanhas que encontrei no congelador. uma pitada de pimenta, outra sacudidela de tomilho, nenhum sal. e foi tudo ao forno a alta temperatura, para caramelizar.

quando o cheiro vindo do forno já era pecaminoso, cozi a massa e misturei um copo de leite com umas colheres de maizena. juntei atum aos legumes, atirei lá para dentro a massa e uns restos de queijo que estavam no frigorífico, a mistura do leite com a maizena e levei ao forno para gratinar.
o resultado foi uma mistela cremosa e muito saborosa. não tem grande aspecto, mas garanto-vos que estava deliciosa.
e ainda melhor no dia seguinte. dava-lhe já uma trinca!