8.9.10

1

quando comecei a ver os livros dele à venda, muito de repente e de uma forma mais ou menos bombástica, achei que era mais um best-seller oco, e não liguei meia.
mas um dia, alguém me falou dele e, por curiosidade, comprei um livro. e depois outro.
gosto da forma como é honesto e rigoroso, mesmo quando inventa situações que fogem dos parâmetros da realidade. torna as regras sociais, sobretudo as das relações humanas, um bocado ridículas. irrisórias, aliás. substitui-as por franqueza, honestidade; tira as etiquetas às coisas, remove-as de categorias e dos seus critérios castradores. cada situação é como é e transforma-se à medida que o personagem vai vivendo, vai fluindo.

we don't live with the mechanical precision of a bank account or by measuring all our lines and angles with rulers and protractors. (...) things will go where they're supposed to go if you just let them take their natural course.

30.8.10

ainda aveiro

é bastante óbvio que é preciso mais dias assim.

29.8.10

54. take my sister to a different city

num dos últimos dias de julho (nem acredito que agosto passou tão rápido!), ansiava por uns dias à beira-mar, sem nada para fazer. aproveitei uma deslocação do meu pai a aveiro, fizemos uns pequenos ajustes no lugar de chauffer habituel e, de uma forma muito pouco planeada, levei a rita a visitar uma cidade nova.
na universidade, o cheiro a maresia, e a rita a imaginar-se a lá estudar e viver (mal ela sabe a vontade recorrente de viver em cada nova cidade que conhecer...). sem mapas, sem planos, sem fazer a mínima ideia de como se organiza a cidade. à primeira, afastando-nos do centro sem saber, e tropeçando na ria e nas salinas. encantamento.

o salineiro que, aos 80 anos e uma infecção num dos pés, descalços e duros, não conhece o conceito de lucro. só de trabalho árduo. saudades dos tempos em que havia ordem no país e empregos para os mais novos.
fomos turistas. fizemos os mais rebuscados planos para um dia irmos para lá viver. fomos à baixa, depois à barra. na costa nova quisemos uma das casinhas. comemos tripa e comprámos ovos moles.
e conduzi um clássico. um mini! olha só que pinta!

mas clássico, clássico, foi eu ter-me esquecido de perguntar ao dono como se metia a marcha-atrás e, quando chegou a altura de dar a volta, lá tivemos que improvisar...dia completo: cidade nova, dia bonito, e aventuras a la joui...

transition


de repente, ficou frio. tão frio que o vestido de verão no armário parece ridículo e já não se pode andar sem um polar por perto. os dias acabam mais cedo, os frutos nas árvores estão prontos a colher, e o ar tem algo de estaladiço que afugenta a preguiça, desperta. na suíça, está-se a instalar o outono.


no outono, volta a vivacidade e sinto-me capaz de tudo. é quando surgem as ideias, os projectos, as infindáveis listas. nada melhor do que dez dias como estes para a rampa de lançamento para o ano que vem. tenho milhentas ideias: para trabalhar, para tricotar, para cozinhar, fotografar... fazer. tenho um balanço de uma lista pendente, e outra no forno.

no entanto, ainda vou voltar para o verão, e ainda bem. porque embora já esteja preparada para o outono, quero só mais um bocadinho de verão. e ainda tenho um verão cheio de coisas para partilhar!

4.8.10

war photographer


acabei de ver este documentário, sobre o fotógrafo de guerra james nachtwey.
bastante incrível. acompanhamo-lo a trabalhar no kosovo, palestina, indonésia, etc
fica-se à espera que a qualquer momento desate a chorar mas é coisa que ele não faz, se alguma vez fez.
porque viu mais miséria do que quase toda a gente.


19.7.10

swiss summer nights

acho que nunca tive um grupo de fotos tão curioso.

em lausanne, chegou o verão. chegou o calor. e os festivais na cidade. quando lá estive, a festa era na zona histórica e havia palcos por todo o lado com dança, música, teatro, recitais e muito mais.

enquanto esperava por este espectáculo de dança contemporânea, brinquei com a minha máquina e descobri que adoro um dos seus defeitos: o grão em iso elevado.

entretive-me a tirar fotos do casal à minha frente. mas eles devem-me ter topado, porque de repente ficaram muito intimidados.

no dia seguinte, fomos fazer um pic-nic em genève com a chloé. com o braseiro que estava, e depois de hora e meia numa autoestrada entupida, andar descalços na relva e ouvir um concerto de punk jazz e comer salada de arroz soube muito bem. não que eu seja grande fã de punk jazz, mas este grupo era muito bom. e o vocalista parecia que estava nú da cinta para baixo porque só tinha uns boxers e uns collants cor de pele. e dominava o piano com a maior pinta.

era noite escura e o calor persistia. as pessoas no parque também!

18.7.10

aproveitar

uma das coisas que mais gosto sobre viver sozinha é de poder cozinhar se quiser, quando quiser, o que quiser. com os ingredientes que, dantes, um não podia comer, o outro não gostava, e por aí fora.

uma das coisas que mais detesto sobre viver sozinha é de cozinhar muitas vezes só para mim. ando há meses para ir ao mercado comprar legumes e fruta frescos, mas desisto facilmente porque sei que não posso comprar muita coisa e variada e porque muitas das coisas que compro acabam por apodrecer no frigorífico. especialmente em semanas em que o que vai acontecer no dia seguinte é sempre surpresa.

durante as primeiras semanas, deitava muita coisa fora. agora, tento evitar comprar tudo o que acho que gostaria de comer e tento pensar no que realmente vou comer. mas há sempre dias em que, como hoje, tento pensar em tudo o que está à espera no frigorífico para ser comido, e improviso qualquer coisa.

foi assim que saiu este bolo de legumes. com tudo o que estava no frigorífico a dar as últimas!

uma cenoura. meia beterraba (a inquilina mais antiga do meu frigorífico). alho francês que tinha no congelador. meia chouriça que já estava a ganhar bolor. o único ovo que tinha. uns restos de queijo da ilha. farinha com fermento. manteiga. uma pitada de noz moscada. uma pitada de pimenta. umas folhas do meu manjericão, o único ser vivo para além de mim nesta casa. fiz a massa como se fosse para um bolo normal, sem açúcar. salteei os legumes. juntei tudo, estranhei o cheiro e ri-me com o aspecto rosado da mixórdia.

e no fim, estava delicioso!

20.6.10

draw my shopping list

19.6.10

os meus olhares




num dia carrancudo, de chuva frio e sol e calor, de demasiado eslovaco e de curso de fotografia.

17.6.10

olhar

como te disse, não tenho tirado muitas fotografias. é pena. com o verão, vem a vontade de passear e andar sempre a tropeçar em pequenos nadas que regalam o olho. aleatoriamente. sempre que saio sem a máquina, arrependo-me. sempre que saio com ela, trago coisas novas.

detour

quando a minha irmã perde o autocarro e eu tenho que ir a ruílhe buscá-la, eu não me importo muito. o caminho até lá é sempre assim, pelos campos e cheio de cores, envolvidas pela luz dourada do fim da tarde.

16.6.10

a lista da joana - balanço final


esta semana, no dia 12 de junho, terminou o prazo da minha lista de 101 coisas em 1001 dias, feita a 17.10.2007.
é verdade, já passou.
fiz cerca de metade dos itens, o que me deixa feliz. considerei feitos alguns itens, mesmo que não totalmente cumpridos. este é o balanço final, depois de apenas um balanço feito em 2009.

adorei ter este compromisso ao longo destes quase três anos. foi realmente o meu projecto pessoal de vida, e pretendo repetir. a sensação de riscar um item é muito boa.

quando foi feita, o contexto era totalmente diferente. em 2007, terminava um mestrado que me custou imenso levar a cabo, pela desmotivação e tudo o resto. fi-lo a pensar no ideal, e não fugi muito ao que idealizei, o que me deixa muito feliz.

desde fevereiro 2010, última vez que revi a lista (apenas pessoalmente, sem balanço no blog), fiz os seguintes:

- em maio comecei um EVS de oito meses em bratislava, onde irei partilhar casa com mais duas voluntárias.
- assinei a revista flor de lis, não era bem o que tinha em mente mas não deixa de ser uma assinatura!
- com o luís, comecei a ver muitos filmes e alcancei a meta de cinquenta.
- criei um website chamado www.nerozumiem.com que actualizo a partir de bratislava.
- enviei 17 das 15 cartas a que me tinha proposto
- comecei a dar aulas de danças tradicionais em regime de ATL, ensinando nomeadamente chappeloise

assunto encerrado, ao próximo!

15.6.10



a paisagem é diferente. é mais fresca, mais virgem, não sei explicar. recentemente fui até dumbier, o ponto mais alto dos nízke tatry. pelo caminho, ainda de carro até chegar ao início da caminhada, sentia-me em brufe, em germil, no soajo, na paradela. o campo é igual. miúdos no meio da estrada, velhos com sacholas, homens que páram o tractor para beber no café central. a vida de campo é igual. é verde e é dura.
mas quando se chega ao topo, é diferente. e é indizível. amando o gerês, digo que é diferente chegar a dumbier. é novo, é escarpado. é possível sentir antiguidade nas montanhas? pois, se sim, senti que dumbier era intocado, atrevido. e, comparando, que o gerês tem sabedoria, tem pertinência, tem sensatez.

31.5.10

esvoaçar

não tenho feito muitas coisas dignas de nota ultimamente. não tenho cozinhado, não tenho tirado muitas fotografias e tenho andado quase sempre com a máquina sem bateria, tenho arrumado muitas vezes a casa (o que significa que ainda tenho que me organizar melhor), não tenho feito tricot e não tenho trabalhado grande coisa.

ando por aí, a esvoaçar. como o nosso papagaio.

pela primeira vez este ano, fui à praia. revi algumas pessoas. tivemos conversas. vivi devagarinho. andei uns dias pela póvoa, com o verão a entrar aos solavancos. o gabriel (que se auto-intitula de bli) fez dois anos esta semana. ensinei-lhe a dizer "se faz favor" (faxolii) e finalmente disse o meu nome; depois de algumas tentativas, ficou-se por fannna. descobrimos um sítio fixe e perto com vias de escalada e redobrou a minha vontade de me ir inscrever nos treinos.

fizemos planos. sonharam-se outros. não sei bem como vai ser este verão, quero fazer muitas mais coisas do que aquelas que posso. dormi muito. a minha playlist preferida é pré-feita (porque não me apetece escolher o que quero ouvir), mas tem encaixado na perfeição.

ao fim e ao cabo, é bom parar e andar por aí a papaguear. na terça parto para mais uns dias na suíça, já com uma to-do list bem grande. a última paragem antes de umas semanas bem turbulentas que estão para chegar.
verdade, verdadinha, estes dias foram para retemperar energias e vontades.

22.5.10

moja nóvy mesto

ahoj bratislava, já cá estou há três semanas e ainda não te tinha mostrado!