27.2.09
26.2.09
vinhais
fui passar o carnaval a vinhais. depois de me tentar lembar, apercebi-me que trás-os-montes não tem memória alguma em mim, além de umas breves horas em bragança ou mirandela. aqui passei quatro dias, numa vila de que não sabia nada, apenas que usavam máscaras no natal, e que soltavam diabos na quarta de cinzas.
é de paisagens tão tranquilas, de ar tão puro e verdes tão verdes (e inesperados), no meio de árvores secas e estaladiças
mas o melhor de tudo, são as pessoas. assim, em conversas, fiquei a saber que esta figueira seca, que nunca deu fruto nem flor, que está nesta igreja (e fartei-me de cantar as freiras de santa clara, porque o convento fica mesmo ao lado) apareceu - conta a lenda - depois do padre ter dito na missa "o espírito santo é tão verdade como vai nascer uma árvore no topo da igreja!" e olhem, nasceu.
ou então uma outra, de outra pessoa, que afinal disse que o que o padre disse foi "é tão verdade como agora uma criança se afoga no rio tuela" mas já não me lembro onde entra a figueira aqui...era disto que tinha medo, de me esquecer. bem. é que havia mesmo uma criança a afogar-se.
em vinhais, a senhora do posto de turismo ofereceu-me o primeiro volume do livro "folklore de vinhais". disse que não era livro que se vendesse, porque tinha os cantinhos dobrados.


andei tanto tanto, nem dei por ela, mas foi o que disseram. parece que as minhas caminhadas diárias me servem para alguma coisa afinal. tenho a pele toda estalada, do sol e do frio. passei a pior noite da minha vida. os dois graus negativos da noite foram demasiado para mim...
é de paisagens tão tranquilas, de ar tão puro e verdes tão verdes (e inesperados), no meio de árvores secas e estaladiças
ou então uma outra, de outra pessoa, que afinal disse que o que o padre disse foi "é tão verdade como agora uma criança se afoga no rio tuela" mas já não me lembro onde entra a figueira aqui...era disto que tinha medo, de me esquecer. bem. é que havia mesmo uma criança a afogar-se.
fiquei maravilhada com a quantidade de ovelhinhas que nascem todos os dias por ali. todo o rebanho tinha uns bebés, dei leite a ovelhinhas!!
em travanca, começou o fartote de chouriço em tabernas. na tasquinha do zé encontrei estes três senhores tão simpáticos que até foram buscar os cães para posar para a foto. fomos com eles e as queixas começaram. não há gente nova, não se pode sobreviver da lavoura, há uma criança aqui, morrem mais do que nascem...e outras histórias, como a do merendeiro comido com mãos de mexer o estrume. e foi o que melhor lhe soube toda a vida!
23.2.09
apple tart cake
coisas da vida
andava eu a passear pelos lados da catedral de lausanne, nesta manhã fria de fevereiro. com a máquina ao pescoço e a chuva a salpicar-me as bochechas, e o cabelo e (deus!) a máquina, andei por caminhos que não conhecia muito bem.
e eis que de repente, ao longe, avisto algo que me chama a atenção.

"maison du tricot?! venho a esta cidade aí umas 5 vezes por ano e não sabia que havia uma maison du tricot?!" - pensei eu. na verdade, há sempre cantos de uma cidade que uma pessoa não conhece. "nem é tarde, nem é cedo. deixa lá ver como é que eu chego lá." a catedral de lausanne fica no alto de uma colina. a maison du tricot parecia ficar na colina em frente. então, meti pés ao caminho e as minhas antenas sempre orientadas para aquele lado. gulosa, já a pensar em fileiras e fileiras de lãs, todos os modelos imagináveis de agulhas, acessórios. revistas com modelos de tudo e mais alguma coisa.
até andei mais rápido. cheguei aqui e apercebi-me que o que tinha visto as traseiras do prédio. andei mais um bocado. contornei o bloco de prédios, fui dar a uma rua perpendicular à última, subi a perpendicular dessa que, por sua vez era paralela à primeira. puf puf puf, passo o cabaret night club que supostamente era ao lado. procuro uma montra cheia de lãs e coisas boas. não vejo nada. procuro melhor...
"la maison du tricot" era uma boutique (de Senhora). e sim. o emprego de S maiúsculo foi propositado.
** em contrapartida, numa das ruas que me levou até lá, passei por um sítio que dizia "papeterie" e fiz uma nota mental de voltar lá depois das lãs. com dois andares cheios de material de pintura, papel, autocolantes, material de escritório, plasticinas, tintas para roupa, tintas para tudo e mais alguma coisa, duas estantes cheias de carimbos e acessórios para carimbos, tudo aquilo que possas querer/imaginar para fazer coisa bonita, algo me diz que tenho uma nova loja preferida.
"maison du tricot?! venho a esta cidade aí umas 5 vezes por ano e não sabia que havia uma maison du tricot?!" - pensei eu. na verdade, há sempre cantos de uma cidade que uma pessoa não conhece. "nem é tarde, nem é cedo. deixa lá ver como é que eu chego lá." a catedral de lausanne fica no alto de uma colina. a maison du tricot parecia ficar na colina em frente. então, meti pés ao caminho e as minhas antenas sempre orientadas para aquele lado. gulosa, já a pensar em fileiras e fileiras de lãs, todos os modelos imagináveis de agulhas, acessórios. revistas com modelos de tudo e mais alguma coisa.
** em contrapartida, numa das ruas que me levou até lá, passei por um sítio que dizia "papeterie" e fiz uma nota mental de voltar lá depois das lãs. com dois andares cheios de material de pintura, papel, autocolantes, material de escritório, plasticinas, tintas para roupa, tintas para tudo e mais alguma coisa, duas estantes cheias de carimbos e acessórios para carimbos, tudo aquilo que possas querer/imaginar para fazer coisa bonita, algo me diz que tenho uma nova loja preferida.
19.2.09
olá suissinha
quando cheguei, estavas envolta numa tempestade branca. andámos devagarinho na autoestrada para não patinarmos no gelo com os pneus de inverno. e eu pude exclamar muitas vezes "oh que bonito" cada vez que nos apresentavas mais uma paisagem invernosa espectacular.
ontem deixaste-me ir passear no parque, e eu fui. pensando bem, talvez vá outra vez hoje.
não fiz um boneco de neve, mas houve quem o fizesse para eu me rir um bocadinho.
podias fazer isso mais vezes, suissinha. gosto de passear nos teus parques com a neve a partir-se debaixo dos meus pés e a fazer crunch crunch crunch a cada passo que dou.
18.2.09
domingo
já há muito tempo que não saía de casa, para não dizer da cama, num domingo de manhã em que não tivesse programa. os domingos são sempre para pôr o sono em dia, acordar, virar para o outro lado e voltar a adormecer. fazer mossa no colchão.
e assim pegámos nas bicicletas. ela a cair de cada vez que parava, porque os pés não chegavam ao chão da bicicleta do teu irmão. e eu a dar à perna só para conseguir mover os pedais ferrugentos da minha bicicleta velha (nem quero pensar no que o mecânico das bicicletas terá dito quando o meu pai lhe levou aquilo para arranjar)
mas este foi diferente.


ela pediu. o céu espreitava assim pelo telhado do prédio.
e assim pegámos nas bicicletas. ela a cair de cada vez que parava, porque os pés não chegavam ao chão da bicicleta do teu irmão. e eu a dar à perna só para conseguir mover os pedais ferrugentos da minha bicicleta velha (nem quero pensar no que o mecânico das bicicletas terá dito quando o meu pai lhe levou aquilo para arranjar)
a minha querida amiga bicicleta preta. recebi-a no primeiro natal que passamos em inglaterra. ou terá sido no segundo? já não me lembro bem. puseram-me a roda no sapatinho e o resto no sótão (que uma vez teve uma colmeia verdadeira e tiveram que chamar os exterminadores, mas isso é outra história). num desses natais, também recebi o meu saco-cama que já foi comigo a tanto lado, e ainda dura. (e fez 15 anos que fomos, no dia 14 de fevereiro)

demos uma voltinha. pequena que foi. mas domingos solarengos são bons para pôr a roupa a secar ao pé do rio este, e para meninas ciclistas trapalhonas andarem a tirar fotografias à socapa.
14.2.09
10.2.09
saber melhor do que ninguém
para matar um dia mau, não há nada melhor do que nadar umas piscinas valentes. mas às vezes, as avós sabem melhor do que nós e ainda conseguem superar essas piscinas com uma açorda alentejana para comer no final.
7.2.09
coisas do estômago
não sendo eu particularmente dada ao cor-de-rosa, como é que eu vou viver quatro meses a usar uma t-shirt dessa cor?
6.2.09
5.2.09
i'm around
tem andado parado, isto por aqui. não temos deixado de fazer coisas, nem de pensar coisas, nem coisa que se pareça. mas a atenção não tem andado por estes lados.

we're getting somewhere.
tem andado pelas árvores despidas do inverno

e nem sequer se tem visto esse azul no céu. tem sido mais escuro, mais chuvoso, mais pesado. mas também não há grandes ligeirezas nesta altura.

é de tomar decisões e investir em futuros projectos. tentar atar pontas soltas e segurar o que está pendente, o que precisa de atenção.

já consegui acabar algumas coisas da minha lista. tenho feito pão em casa, com a nova máquina. consegui passar no código, e tirei grande nota no exame de inglês. tenho tido algum tempo, não muito, para ler e ver filmes e aproveitar os domingos e fazer bolos e bolachas de vez em quando.

e descobrir brincadeiras novas e finalmente começar a arrumar o meu disco duro que tanto precisa. coisas pequenas e supérfluas, eu sei, mas tão importantes para seguir em frente, que cada minúscula conquista sabe a grande vitória.

we're getting somewhere.





