28.2.12

já te deste conta?

que este blog já fez 5 anos e já vai a caminho dos 6?

manquinho, nos últimos tempos, depois de voltas e cambalhotas e uns tempos à deriva. mas há alturas e alturas...

21.2.12

the help (2011)

não sei bem o que pensar deste filme, para além de ser bonito e emocionante (não digas a ninguém, mas até chorei um bocadinho no fim). fico com a sensação de que é um retrato um bocado romantizado das serviçais daquela altura, nos eua, e o kkk e toda a questão do racismo são tratadas de uma forma um bocado leve e cor-de-rosa.

mas eu não sou crítica de filmes, nem historiadora, por isso, posso ver filmes e não ficar lá muito incomodada com alguma imprecisão. porque se há mundo onde eu entro bem, é no da imaginação.

as listas e o mundo de infinitas possibilidades

sempre gostei de fazer listas, tu sabes.

mas não sou muito boa a acabá-las, e às vezes fico um bocado desiludida quando passa o prazo e não completei tantos itens como gostaria.

no entanto, tenho vindo a aperceber-me que há coisas que vêm a seu tempo.
se, no ano passado, concluí muito pouca coisa da minha lista de ano novo, a verdade é que o ano foi bom, cheio de projectos e de coisas concluídas.
fui a um jamboree, e trabalhei para ele em pleno. vi coisas lindas no nosso país, fui à suíça e à holanda, dei um saltinho à espanha e tirei fotografias de que gosto muito.
tricotei mais. tive um gato. nadei mais. vindimei. conheci lisboa melhor.

e, dei-me conta que, quase sem querer, as coisas foram-se encaminhando para que completasse itens de uma lista que já fiz há uns anos atrás:

5. Develop the b&w films that I've been piling up
22. Learn to make quince cheese with my grandma
34. Take part in a grape harvest
39. Be a tourist in Lisbon
45. Walk the Alentejo Coast and get to know its villages
78. See Radiohead live (em 15/07/2012)
94. Have a BMI=21
95. Swim 1500m in one session, and make them regular (min. 8 times - 1/8)

é fixe ter pontos de referência. e é fixe sonhar, criar pontos de referência novos.
aos poucos vamos aprendendo a fazer listas mais objectivas, e a cumprir os objectivos melhor.

e que não é preciso que seja ano novo para que as listas e os sonhos se pensem.

6.11.11

o wire

como sabes, andei obcecada por uma série. devorei as cinco temporadas depois de um início aos soluços. quero que toda a gente a veja, que toda a gente sinta a estranheza de se afeiçoar a criminosos, de entender a selva em que vivem.

a série foi produzida por um antigo jornalista e um antigo polícia. ambos sabem as corrupções por detrás de tudo, as politiquices, os números, as estatísticas. no meio destes teatros há sempre pessoas honestas que querem fazer o seu trabalho e no entanto não podem. lutam, usam todos os trunfos e mesmo assim não podem.

e assim vemos a perspectiva da polícia de baltimore, face ao crime do tráfico de droga e problemas inerentes. abandono, pobreza, crime.

the wire é considerada uma série de culto por ser a primeira a retratar uma américa real. aqui não são os bons que ganham, a série não termina com um final-final, porque estas lutas nunca terminam. apenas se renovam. e os maus nunca são burros, são extremamente arrojados e inteligentes. e se calhar nem são maus. olha :/

oh, é uma coisa que fica. como aquele filme japones que ressaquei durante semanas, o mesmo vai acontecer aqui. é mesmo, mesmo, mesmo muito bom.

não estão por ordem e há alguma a falhar de certeza, mas algumas das personagens favoritas:

chris, mata dezenas de pessoas e ainda assim ficas a achar que é boa pessoa, correcta

prez, um grande azarado que se revela um génio dos códigos

stringer bell, o maior traficante que tem aulas de macroeconomia na universidade e tenta ensinar o mesmo aos seus miudos de rua

norman, um conselheiro do mayor super cool

os putos, ficas a adorar cada um deles

o mcnulty é o polícia mais ilegal e fixe e cómico

frank sobotka, trabalha no porto, é honesto mas quase obrigado a envolver-se em negócios macacos

bunk, o badocha que bebe imenso e é óptimo polícia

slim, um gangster também super correcto e impecável

carver, adoro a evolução dele de um polícia interesseiro para um sargento e lieutenant admirável

lester freamon é o maior! primeiro passa super despercebido e depois é incrível

daniels, o gajo que quer fazer as coisas de forma correcta mas está sempre entre a espada e a parede

bunny, o polícia que tenta legalizar as drogas em baltimore

omar, se calhar a minha personagem favorita. uma espécie de robin dos bosques dos narcotraficantes, famoso por matar como quem coça comichão, não tem medo, não teme nada, cuida dos seus, e é cómico


bodie, é engraçado, goza muito com os polícias e cria-se uma empatia logo desde a primeira série.

15.9.11

fui ali dar umas voltas no mundo e dentro da minha cabeça e já estou quase a voltar, sim?

25.8.11

servidão humana

já o acabei há cerca de uma semana, no carro, a caminho da amorosa em viana do castelo. não foi o melhor ambiente mas estava assim de ansiosa.

acompanhámos o protagonista desde criança até à idade adulta. afeiçoamo-nos a ele e eu fiquei verdadeiramente irritada quando o magoavam.
o livro é grande mas de leitura fácil, a linguagem é simples, e as reflexões do protagonista são familiares e engraçadas. porque ele está sempre à procura de algo, passa por londres, paris, sonha viver em espanha, e sente que nunca está feliz, que está sempre tudo noutro lugar. então o livro é um bocado isso, de como o humano é sempre servo de algo, das vontades, de sonhos, de nunca estar satisfeito.
apesar de não ser central tem também uma história de amor incrível e injusta. e é um livro fofinho!

8.8.11

crime e castigo


apesar do nome, ao longo da leitura, raramente pensei se o castigo viria ou não. é que ele é tão falado e temido que se torna tão presente e dúbio que quando ele chega, bem no final, até surpreende.
o livro é bom de ler, se bem que sempre cheio de personagens tristes e miseráveis e pesadas. raskolnikov, o protagonista, começa por ser um estudante pobre com pensamentos demasiado grandes sobre a grandeza do homem e acaba por ser um homem mais calmo, que se aceita assim. sem cabelo, magro, mas com amor.
se a s. petesburgo era assim mesmo, bem, que deprimente era. em todo o lado bebedos e pedintes e pedantes.
e em todo o lado rumores e histórias e os delírios de raskolnikov a toda a hora, o seu medo de ser descoberto sempre mas ele sempre de língua aguçada.
sobre convenções, o bem e o mal, o heróico e o mesquinho, que talvez seja apenas uma questão de dimensão ou de relato histórico (napoleão matou tantos e é tão grande e eu matei uma tão má e sou tão castigado).
off to servidão humana. umana. eheheh.

10.7.11

o indomável, 2010

com a m. a adormecer nos primeiros minutos, a gente lá teve uma noite à moda antiga: alugou-se um dvd, sim!! e escolhemos o "true grit", um remake de um western pelos irmãos cohen.

adorei o filme, ri-me muitas vezes, e que super menina!

3.7.11

meias

de tricotação muito lenta, lá vou completando as tarefas e os presentes que gostava de oferecer às pessoas. aqui aprendi que aplicar padrões diferentes compromete não só a imagem como o tamanho. de resultado tenho uma meia super elástica e outra que nem por isso (a dos quadradinhos) e que, por isso, uma parece maior que a outra.

estas vão para a eslováquia. as seguintes ganharam a espécie de give away e se não forem a tempo de itália, terão de apanhar a pessoa no perú!

21.6.11

mais ermida


russo ou português
importa?
não combina sempre?

hurrah corantios

o aniversário da cátia foi pretexto para a experimentação total de corantes e tudo e tudo e tudo

uma situação 100% aspecto em que mal provei os queques: não era o importante


:x

título alternativo: ou porque a joana não pode ter um blog sobre culinária

grizzly man (2005)

então é assim. isto é um documentário feito pelo herzog sobre um homem que passou 13 anos, no verão, com ursos no alasca. queria protegê-los, ser amigo deles, ser um deles. acontece que, lidando com um dos animais mais perigosos no planeta, o que se passou foi que em 2003 ele foi comido vivo por um urso faminto - ele e a namorada - deixando para trás centenas de horas de vídeo que gravava sozinho.


a meio do filme, começámo-nos a perguntar se isto seria a sério, se não seria um documentário no gozo. toda a história é demasiado surreal para ser verdade, os intervenientes parecem todos avariados da cabeça, é incrível!

mas enfim, não deixa de ser uma história digna de ser contada. a do homem aparentemente louco que queria ser um urso, e acabou por ser comido por eles. tal como queria.
"i will die for these animals i will die for these animals i will die for these animals"

20.6.11

risotto de espinafres: saltear um ou dois dentes de alho picados grosseiramente com folhas de espinafre. acrescentar alguma água se a cozedura dos espinafres não tiver libertado muita. acrescentar o arroz. ir juntando água (ou caldo de legumes para quem preferir) à medida que o arroz vai cozendo. acertar o sal. quando cozido e já no prato, polvilhar com pimenta e parmesão ralado. ou um ovo escalfado; é ao gosto do freguês.

1. 04.11, 2. 04.11, 3. 04.11, 4. 05.11, 5. 04.11, 6. 05.11, 7. 06.11, 8. 05.11, 9. 06.11

~
muita coisa, mas muita coisa boa nos últimos meses.

18.6.11

noone knows the persian cats (2009)

the solitude of prime numbers (2010)

out

no fim de semana passado fomos a entre ambos os rios.
não conhecia ainda o parque de campismo e este é mesmo simpático, com vista para o rio.

depois de uns banhos, almoço, calmarias, fomos procurar lagoas


na ermida


e encontrámos algumas, geladíssimas!


de acesso a implicar banhos de bichos da sede e arranhões


mas é disto que gosto. adoro, aliás.

8.6.11

this week i've been mostly having...




vejo com frequência estas coisas, projectos pessoais de pessoas que decidem desenhar o que vestem todos os dias. normalmente são pessoas que desenham muito bem e têm os guarda roupas mais espantosos de sempre.
eu, sem um ou outro, ando com vontade de desenhar e desde ontem que me apeteceu fazer o mesmo. os guarda roupas normais também merecem o seu ode à normalidade!

7.6.11

a trégua (1963)


há uns anos no verão, tive a estúpida ideia de ler "se isto é um homem" como leitura de praia. o livro perseguiu-me durante muito tempo, como perseguem livros e filmes pungentes e reais. primo levi, um químico e escritor italiano foi preso enquanto partisan nas montanhas italianas e levado em 1944 para aushwitz. "se isto é um homem" retrata os onze meses que aí viveu, as maldades da sobrevivência e a miséria de quem vive sem nada num lager.

em "a trégua", primo levi é libertado. em janeiro de 1945 as tropas russas libertam o campo. conscientes disso, pouco antes, as SS dizimaram o maior número que podiam, excepto os extremamente doentes que estavam na enfermaria - caso de levi. este vive, no meio da febre e da inconsciência, a libertação sem alegria, sem reacção. "a trégua" relata os meses de aventura, mendicidade e intervalo entre a libertação e a chegada a turim, na itália.

este é um livro com uma alegria diferente, com momentos e personagens engraçadas, todas elas vindas de um lager que as corrompeu além do suportável mas que lá se aguentam. de janeiro a outubro de 1945 levi passou por campos miseráveis, fome na polónia, russia, bielorrussia e depois de uma viagem de um mês, chega a itália.

chama-se a "trégua" porque separa o momento em que primo levi vive o inimaginável e o momento em que volta a viver. mas tem de viver com aquilo.

este morre nos anos 80, uns dizem que se suicidou outros que foi um acidente (caiu da varanda interior da sua casa, do 3º andar). entre episódios de depressão levi continuava a escrever e fazia questão de contar as suas experiências em escolas, homenagens - para que ninguém esqueça.

eu li o livro em dois dias, gostei muito. gosto muito da escrita. usa palavras certas, inventa algumas, humaniza objectos, é agradável de ler. e nunca é agressivo, como o que se devia esperar.