2.12.07

ao ritmo de milhares de pensamentos por hora


não é possível que eu esteja sempre a pensar no que devia estar a pensar

30.11.07

item extra #1

Já te tinha avisado que isto ia acontecer.
Depois de lançar a minha lista, não consigo parar de encontrar outras coisas que queria meter lá. Ainda não passou muito mais de um mês e ela já está desactualizada. Mas é para isso que serve, não é? De ter uma sensação de metamorfose?

Quem diria há uns meses que eu agora iria ter vontade de fazer
uma colagem por semana?

o mote do dia

nada mais a calhar, no site da keri smith (onde é que eu andei este tempo todo?)

eu 2

Mais procedimental do que semântica, definitivamente.

expired

originally uploaded by tryred62

Hoje apetece-me a minha.
Sair destas quatro paredes recheadas de mesas cinzentas, luzes apáticas e ecrãs de computadores. Apanhar as botas pelo caminho e ir caminhar, caminhar, caminhar. Eu é mais montanhas e terra e sujidade e ar puro.
Ainda não consigo compreender muito bem como é que vim aqui parar.

eu

Minhota, de raça alentejana, com uns retoques marifontistas e uns salpicos de extraterrestre.

Tristes Europeus

d'isto

é chegar a casa depois dum serão dos bons
e o silêncio comer-te mais do que se tivesse passado a noite sozinha, a ouvi-lo
e haver qualquer coisa lá dentro mais vazio do que a cama fria
e saber porquê

assim se aguentam distâncias
de espaço, de tempo
mas não d'isso

c'est si simple

Devia ser Maio ou Junho, já não me lembro bem. Decerto que era Primavera, pela cronologia dos acontecimentos. O tempo tinha passado demasiado depressa, chegava ao fim e havia o desejo de o manipular para que não voasse daquela maneira. Oscilava entre uma certa nostalgia, procurava pastéis de nata e croissants de massa fofa para o pequeno-almoço, mas algo me dizia para estar alerta, que essa vontade ia acabar mal assentasse pé no chão.

Devia ser o fim de tarde desse dia. Entre uma ida à discoteca (biblioteca de discos) ou umas compras quaisquer para mais uma tainada lá em casa, a Chloé sentara-se no chão e contava-me os seus planos para depois. Com uma vontade tão definida como simples, o toque que eu nunca conseguiria dar a decisões daquele calibre.
Foi aí que percebi que sim, que era assim tão simples.

Agora, o tempo passa demasiado devagar. Mas há-de-lhe chegar o fim.
E eu sei o que é que vou fazer. Como ela sabia, naquele dia.

28.11.07

60. Comprar o livro de culinária do Jamie Oliver






Este item foi um pouco sabotado. No meu aniversário ofereceram-me outro livro de culinária que se adequa muito mais à minha gula








26. Percorrer o trilho das Minas dos Carris no Gerês











27.11.07

66. Comprar um caderno e uma caneta. Trazê-los sempre comigo.


Buy a notebook
Carry it at all times

26.11.07

Era uma green faxavor

Ora quem diria que somos mais verdes que a Nova-Zelândia?

23.11.07

:(
não me sinto nada bem.
comprei lápis de cera da giotto, 24 cores bonitas. comprei um livro de colorir pequenino. já pintei um veado lilás com presas cor da pele. e cascos azuis escuros. o céu ficou preto e o chão cinzento. no outro dia vi uns segundos de um documentário sobre savants. estimulavam-lhes determinadas áreas do cérebro e eles conseguiam contar estímulos em brevíssimas exposições, coisas loucas. que engraçado, precisava de uma estimulação assim.
comprei um bloco de papel branco A3 para fazer esquemas longos e coloridos e livres.
depois fui conhecer a nova fnac e vi josé carlos fernandes e joe sacco e will eisner e os livros mais lindos de história e da national geographic.
cheguei a casa, toquei flauta, pintei, vi morangos com açucar - a "inês" é a pior actriz dos últimos tempos - e comi uma dourada inteira, com esforço. tranquei-me no quarto, vou já deitar-me a seguir porque me apetece ficar insconciente quanto antes. e acordar e ser, sei lá, natal. afinal eu gosto do natal.
que bom que amanhã vou tão alto que espaireço toda.

22.11.07


joui, originally uploaded by riu piu piu.

What they've seen is just a beam of your sun that banishes winter

Let us go! Though we know it's a hopeless endeavor
The ties that bind, they are barbed and spined and hold us close forever
Though there is nothing would help me come to grips with a sky that is gaping and yawning
There is a song I woke with on my lips as you sailed your great ship towards the morning

18.11.07

The Bell Jar


Tiveste a reacção mais estranha ("Putain...") quando, de todos, escolhi este livro. Nunca tinha lido Sylvia Plath, sabia apenas o seu teor de ouvir falar, julgava-a neblosa, triste, intensa. É. Engraçado que as duas pessoas com quem falei sobre ela me disseram "cortante." e "é como facas.". Não é?
No início estava a ser quase assustador lê-la, identifiquei-me com tantas coisas que lhe passavam pela cabeça, o filtro que tinha nos olhos. Mas depois é a descer e arrasta-nos com ela. É mesmo isso, é querer respirar e não ter ar, não o encontrar em nenhum lugar.
Quero mais.

11.11.07

da gaita




Finalmente surgiu a oportunidade de aprender o instrumento que mais me fascinou desde que oiço música. E isso já leva uma porrada de anos.
Acontece que só recentemente descobri que apesar de gostar de pianos, de violoncelos, de instrumentos clássicos em geral, o que me faz vibrar é a música feita pelo povo e não há nada mais campestre mais da terra do que a gaita de foles.
Senão vê. Reza a história que a gaita (picha em galego, não facilitam também...) surge intimamente ligada ao clima serrano. Com um ronco que faz lembrar a ronca do farol, dizem que o pastor levava a gaita para o monte, para onde ia pastar as ovelhas, e quando baixava o nevoeiro tocava a gaita, cujo som pode ter até um km de alcance, para chamar os bichos. Daí o fole que prolonga o sinal.
A questão é, está a ser um verdadeiro desafio a par de um empenho que devia dedicar a outras coisas, segundo a minha mãe. É difícil. Quando faço coisas, quando toco flauta, quando aprendo um ritmo, quando treino nas teclas, as coisas saem bem. Quando pego na gaita de foles faço força e fico tensa e tento e tento e sinto que nunca vou conseguir porque sou fraquinha dos braços mas depois oiço um Bailate Carolina ou uma Vals de Miró, que são tão simples e tão bonitas, e penso que na na, vou conseguir e vou tentar e esfarelar músculos do braço, da boca, de one for preciso, mas hei-de ser uma gaiteira lampeira!

I should do this more often

Passaram-se duas horas, e nem meia parecia, se é que se pode falar sequer em contagem de tempo, num concerto que te leva way beyond driven, como dizia alguém que conheço.
Faz-se desaparecer o auditório, as cadeiras, as pessoas, és tu e a música e o pé que não pára, ou a mão e deixas entrar (ou sair) aquilo que bem lhe apetecer na corrente de consciência.
O Garbarek brinca com os seus saxofones como quer e como bem lhe apetece e daquela cumplicidade entre os quatro elementos, sai mel para os ouvidos. O baixista fez um solo como eu nunca vi (não que tenha visto muita coisa) e o pianista era louco. Um louco com um Steinway nas mãos. Do baterista, gabo-lhe a cor, a musicalidade que dá àquilo que toca.
Em dias assim, a vontade é de ir embora de ouvidos tapados, para não entrar mais nada.

item 52

Inscrever-me na base nacional de dadores de medula óssea.

Feito.
Porque sim. Para além de todas as razões que a gente já conhece.
Não custou nada, só uma negrazinha no braço.

Mas nada comparada às que tenho nos joelhos depois da minha primeiríssima actuação com os Bomboémia.

10.11.07

weekends

Quando era um pouco mais pequenina do que agora, fazia lanches para a minha família com bolos que fazia e que punham a minha avó sempre a resmungar que eu era uma desarrumada e que deixava a cozinha toda porca.

Hoje foi dia de bolo de chocolate e eu e a minha avó continuamos iguaizinhas a esses tempos.
Mas o gato provou e gostou.

7.11.07

The Kinks - Tired of Waiting

ora bolas.

Ritês

compadecer
sobronho
connard = coelho em holandês
defandada

ajuda-me

3.11.07

the silly billies

RiSo_san diz:
hoje vi cisnes num vanal
RiSo_san diz:
canal
joana diz:
estás super fanhosa a escrever
joana diz:
cisnes é bué da romântico.
joana diz:
o xxxxxx?
RiSo_san diz:
lol
RiSo_san diz:
espera.
RiSo_san diz:
vi cisnes à porrada.
joana diz:
WOW!
RiSo_san diz:
sim!!!!
RiSo_san diz:
o cisne com as manchas castanhas
RiSo_san diz:
teve que retirar-se do campo
RiSo_san diz:
em defandada
RiSo_san diz:
mas houve uma perseguição espectacular!!!!
joana diz:
era limpinho, o que estava a lutar com ele?
RiSo_san diz:
era branco
RiSo_san diz:
o das machas não estava sujo.
RiSo_san diz:
tinha manchas naturais!
joana diz:
noto xenofobia no meio dos cisnes...
RiSo_san diz:
mas a perseguição é que foi fixe...porque parecia que estavam a caminhar em cima da água mas de asas abertas...
RiSo_san diz:
sim!!!!
RiSo_san diz:
racismo!
RiSo_san diz:
eu dei por mim a pensar..
RiSo_san diz:
que nós, humanos ao menos só somos racistas com os pretos
RiSo_san diz:
nem tanto com os mulatos
RiSo_san diz:
mas os cisnes.

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar
sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de
antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor
passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reunem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa
variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser
desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O
resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam
"praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do
amor doente, do único amor verdadeiro que há¡ estou farto de conversas,
farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi
namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,
são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá¡ tudo bem,
tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades,
borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já
ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o
desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a
comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não
é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a
pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso
"dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e
descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se
vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a
loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É
essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é
para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para
nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de
inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A
"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem
tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe,
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e
minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade
pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num
momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por
muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração
guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida,
quando não esta lá¡ quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso
amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode
ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Elogio ao Amor, Miguel Esteves Cardoso

30.10.07

stuff

Eu devia pensar seriamente nisto.

E em trabalhar e não me distrair, já que estamos numa de perder velhos hábitos.
Por falar em trabalho, passar pelos corredores deste aquário seja por que motivo for, hoje é uma tentação. Com esta preguiça, dá vontade de ser gato e espreguiçar-se a manhã toda à janela e apanhar o rico solinho que por ela passa.

Que sono.

é isto


26.10.07

museu da imagem

Estava a pensar em mudar a lista. O item n.º6, como agora acabei de me aperceber, deixa a desejar relativamente ao que aquela casa pode oferecer.
Mas como o que está feito fica feito e eu já lancei a lista, assim ela vai ficar.
Para além disso, ter ido uma vez serviu para quebrar o gelo. Ir lá não vai tardar a tornar-se um hábito e espero poder ter oportunidade de subir àquele terceiro andar que está vedado ao público e que eu sei estar recheado de coisas preciosas.

Hoje foi a melhor coisa que podia ter feito.
Vai ser um bom recurso para dias em que mais vale não sair de casa, já estou a ver.

Lá, está o trabalho do António Drumond. Ler aqui e aqui.

18.10.07

a lista da joui

1. Find a way to live closer/with my Boy
2. Walk the Way of St. James, the french trail
3. Go to Canada
4. Visit Rita in Amsterdam
5. Develop the b&w films that I've been piling up
6. Go to Museu da Imagem
7. Visit Isa in Sardinia
8. Do an Interrail, even if a small one
9. Read the Umberto Eco books I've been meaning to read for ages (0/3)
10. Finish reading D. Quijote de la Mancha
11. Bake and sell 20 pies, cakes or batches of biscuits (0/20)
12. Use up a whole film with pictures of weird things in the streets
13. Get myself a real digital camera
14. Climb the Minas dos Carris trail once more
15. Knit a jumper
16. Finish Camila's blanket
17. Achieve 100 camp nights badge at Scouts
18. Make a quilt
19. Build a 5000 piece puzzle
20. Fix my cello
21. Buy 5 new pieces of music and play them
22. Learn to make quince cheese with my grandma
23. Learn to make dairy products in the country with real shepherds
24. Make 10 plain tote bags and stamp nice stuff on them (0/10)
25. Make hair braids at the beach or festivals in the Summer
26. Help building houses at the Habitat Association
27. Read Memory & Music
28. Pass the Cambridge Certificate of Proficiency in English exam
29. Learn how to cross process
30. Put my photos in a handmade photoalbum
31. Learn to speak a new language
32. Do First Aid training
33. Learn to cook seafood
34. Take part in a grape harvest
35. Take part in a maize harvest
36. Learn how to plant vegetables in a vegetable garden
37. Be a tourist in Braga
38. Be a tourist in Porto
39. Be a tourist in Lisbon
40. Visit the 10 Portuguese Historic Villages (0/10)
41. Learn how to make paper
42. Write a tale with Jo
43. Apply for a place in a lab in Montréal
44. Learn how to cook Arroz de Pato (Duck Rice)
45. Walk the Alentejo Coast and get to know its villages
46. Watch 10 classic portuguese movies (4/10)
47. Pay off my debts
48. Read Andy Field's book
49. Learn how to use picture and music editing software
50. Make 10 handmade Christmas gifts and give them on time (0/10)
51. Donate blood 4 times (0/4)
52. Sign up as a bone marrow donator
53. Learn how to and create a website
54. Take my sister to visit a different city
55. Surprise 5 different people (0/5)
56. Make a scrapbook
57. Listen to the most important works of 10 different composers in the history of Jazz (0/10)
58. Make fruit jam
59. Go snowboarding (went skiing!)
60. Plant strawberries
61. Plant aromatic herbs: parsley, coriander, basil, marjoram
62. Go to Andanças
63. Bake three kinds of bread (0/3)
64. Learn how to make Folar da Páscoa in a wood fired oven
65. Get myself a bike to ride around in Braga
66. Make friendship bracelets for 20 people (0/20).
67. Get my driver's license
68. Learn how to juggle
69. Send 100 postcrossing postcards (10/100)
70. Send 25 postcards from different places to my friends who live far away (0/25)
71. Walk in high heel shoes once in my life
72. Sponsor a needy child
73. Read "Rovering to Success" by Baden-Powell
74. Make a sténopé
75. Go to Exeter and find old friends
76. Make 5 t-shirts to offer (0/5)
77. Backup my hard disk
78. See Radiohead live
79. Take a photography classes
80. Write Chloé a letter
81. Learn a martial art
82. Make merengue
83. Read Malabou's book and watch her conference
84. Read 25 books from here or here from my selection (4/25)
85. Throw together a recipe book
86. Make a patchwork sack
87. Be Amiga-da-Velha (Velha-a-Branca @ Braga)
88. Go to a massage workshop
89. Watch 15 plays (0/15)
90. Get to know 10 traditional music groups (10/10)
91. Cut my hair short
92. Do an Intrarrail in Portugal
93. Do humanitarian aid in a different country
94. Have a BMI=21
95. Swim 1500m in one session, and make them regular (min. 8 times - 1/8)
96. Go to Paris
97. Build 10 papier-maché things (0/10)
98. Make a b&w photo composition
99. Visit Rita and Cati in Granada
100. Be a member of Bomboémia
101. Organize 4 activities with Psychology Students' Association (4/4)

coisas das cidades

Ontem de manhã.
Na minha única e matinal passeata pela cidade de Genève, de toda a semana que passei na Suíça. Descobri que uma das livrarias do centro tinha fechado. E estava coberta de posters do Mickael Carreira.

Hoje.
Apercebi-me que a calçada irregular da cidade de Braga vai tornar impossível vir de patins em linha para a Universidade.
Vai mesmo ter que ser de bicicleta.

Where oh where vou arranjar uma?

16.10.07

da campânula



Como é que eu podia escrever sobre a vida, se nunca tinha tido uma verdadeira relação amorosa, um bebé, ou visto alguém morrer?

Sylvia Plath, in A Campânula de Vidro

15.10.07

a lista da joana

1 - Do a one year European Voluntary Service in Hungary in a ethno-something project
2 - Finish knitting the sweater I've started a year ago
3 - Knit myself a sweater
4 - VisitRita in Amesterdam
5 - Visit Cati and Rita in Granada
6 - Visit Rachele in Mantova
7 - Go to Genova to meet Cate, Ele and Gio
8 - Learn to dance mazurka (31.3.2010 aula de danças com lili)
9 - Learn to play the bagpipe
(terminadas as aulas de iniciação, em Setembro há mais!)
10 - Read "Notes from the underground" by Fyodor Dostoevsky
11 - Read ten classic books (3/10)
12 - Start drawing
13 - Buy 20 comic books (6/20)
14 - Make some comic strips with collages and they won bienal's prize!
15 - Write a tale with Joui
16 - Make a photo collection
17 - Publish it in postcard version and sell it
18 - Sign a magazine
19 - Get the driver's licence
20 - Visit the Image Museum in Braga
21 - Go to "Novelas de Braga" at Velha-a-Branca
22 - Colaborate with at least 4 activities for the Psychology Students Association (3/4) well, we made 3 major activities so I'll cross it anyway 'cause I helped in 3 out of 3! 23/6/2008
23 - Learn to Cross Process
24 - Share a home at Budapest
25 - Buy myself a tent
26 - Do the "Carris" trail at Gerês' Natural Park(24.11.2007)
27 - Be driven by Alentejo by the alentejano-by-heart
28 - Discover Entre-ambos-os-Rios
29 - Survive a survival camping
30 - Write and send fifteen letters (17/15)
31 - Make ten surprises to friends of mine (2/10)
32 - Go to the Azores
33 - Take my mother to London
34 - Learn to make fruit jams
35 - Bake scones five times (2/5)
36 - Do the Santiago's french trail
37 - Learn to play tennis
38 - Meet Laura in a new city
39 - Handmake one familiy album
40 - Visit Braga's prison - search for data on my great grandfather's emprisionment
41 - Write my family's history
42 - Write daily on my personal website, from another city
43 - Learn to create a personal website (www.nerozumiem.com)

44 - Go to the European Ethnomusicology Seminar
45 - Candidate myself to PedeXumbo's instrument grant
46 - Buy a Hu-Lu-Si - a three piped flute from China
47 - Watch 50 movies (50/50)
48 - Do activities in Montariol during satuday afternoons
49 - Help to organize the best FUMP - Popular Music University Festival, or at least, the most portuguese
50 - Photograph Braga's interiors of traditional trade
51 - Teach Chapelloise to the little ones in Montariol
52 - Make a photo album for myself, always under construction
53 - Read "Os Maias" by Eça de Queirós again
54 - Learn to play with Poi
55 - Dress myself as Frida at some Carnival or theme party
56 - Color a coloring book (23.11.2007)
57 - Learn to dive
58 - Make a compilation in little notebooks of music, traditions, legends and stories from Portugal's several regions
59 - Photograph all my friends with a self-portrait of themselves covering their face
60 - Buy Jamie Oliver's cooking book (13.11.2007) - I've decided to cross this one out because I got this by Tessa Kiros for my birthday, wich seems a lot yummier!)
61 - Have a digital camera
62 - See Gaiteiros de Lisboa e Danças Ocultas live
63 - Finally make the velcro t-shirt
64 - Get a part-time job
65 - Write a letter, and read it when I'm 26
66 - Buy a notebook and a pen. Carry them at all times. In the notebook: 27.11.2007
Draw my dinner
Find a picture of someone I don't know. Write their bio
Draw my favourite tree
Illustrate the shopping list
Draw everything inside my bag
Create a character based on someone I know. List it's characteristics
Make a compilation of the childhood games
Draw the same object everyday for a week
Draw a map of my favourite places to sit reading in my city
Make a graph that measures something in my life
Make instructions to some simple daily task
List ten of my habits
67 - Make a puppet
68 - Read a book with another person
69 - Make a mix CD and offer it to someone with listening instructions and a map. Thou shall only listen this in this place, sort of thing
70 - Record a conversation with no one knowing
71 - Pay a school year to an indian girl
72 - Learn do drive a bike (well...know how to not fall :P)
73 - Read "A Caminho do Triunfo" by Baden Powell
74 - Read fifty books, besides the ten classics (17/50)
75 - Roller-skate
76 - Send a postcard to Postsecret
77 - Make a piercing
78 - Learn to make ice-cream
79 - Make ten origami figures (8/10)
80 - Read the Bible
81 - Read thirty scientific articles until 31st December 2007 (19/30)
82 - Start collecting paper
83 - Organize my mp3's
84 - Reduce my e-mail accounts to four
85 - Participate or help others to participate in RoverWay 2009, in Iceland
86 - Make a stencil with João
87 - Put beautiful images in my bedroom walls
88 - Make a doll to Dinis
89 - Get to know Portugal's ten historic villages (0/10)
90 - Learn how to make cheese with João
91 - Sell stuff at Feira do Entulho in Guimarães
92 - Find a decent photobooth. A strip with good company
93 - Dance a ball from beginning to end ("Há Pó na Junta!" 28.11.2009)
94 - Make the moustache dinner. With girls
95 - Taste vietnamite food
96 - Offer some flowers to my mom, just because
97 - Go to the circus
98 - Send eight postcards saying THANK YOU! (0/8)
99 - Go to the cemitery
100 - Make postcards with collages. Send them to future illustrations (0/20)
101 - See an Aurora Burealis

3.10.07

era mesmo tudo verdade






29.9.07

I don't feel at home in this world anymore



Esta compilação é um tributo à musica feita pelos imigrantes nos EUA, com músicas gravadas entre 1927 e 1948. Porque foram eles que a tornaram no que ela é agora e tal...Mas algo que diz que a vou ouvir muitas vezes. As vozes são tristes, quem as canta é solitário e sente falta de casa. Desde gregos a mexicanos, não importa como, todos dizem o mesmo.

Paperblanks.com





12.9.07

95 ideas - keri smith

1. Go for a walk. Draw or list things you find on the the sidewalk.
2. Write a letter to yourself in the future.
3. Buy something inexpensive as a symbol for your need to create, (new pen, a tea cup, journal). Use it everyday.
4. Draw your dinner.
5. Find a piece of poetry you respond to. Rewrite it and glue it into your journal. 6. Glue an envelope into your journal. For one week collect items you find on the street.
7. Expose yourself to a new artist, (go to a gallery, or in a book.) Write about what moves you about it.
8. Find a photo of a person you do not know. Write a brief bio about them.
9. Spend a day drawing only red things.
10. Draw your bike.
11. Make a list of everything you buy in the next week.
12. Make a map of everywhere you went in one day.
13. Draw a map of the creases on your hand, (knuckles, palm)
14. Trace your footsteps with chalk.
15. Record an overheard conversation.
16. Trace the path of the moon in relation to where you live.
17. Go to a paint store. Collect 'chips' of all your favorite colors.
18. Draw your favorite tree.
19. Take 15 minutes to eat an orange.
20. Write a haiku.
21. Hang upside down for five minutes.
22. Hang found objects from tree branches.
23. Make a puppet.
24. Create an outdoor room from things you find in nature.
25. Read a book in one day.
26. Illustrate your grocery list.
27. Read a story out loud to a friend.
28. Write a letter to someone you admire.
29. Study the face of someone you do not like.
30. Make a meal based on a color theme. (i.e. all white).
31. Create a museum of very small things.
32. List the smells in your neighborhood.
33. List 100 uses for a tin can.
34. Fill an entire page in your jounral with small circles. Color them in.
35. Give away something you love.
36. Choose an object, draw the side you can't see.
37. List all of the places you've ever lived.
38. Describe your favourite room in detail.
39. Write about your relationship with your washing machine.
40. Draw all of the things in your purse/bag.
41. Make a mini book based on the theme, "my grocery list".
42. Create a character based on someone you know. Write a list of personality traits. 43. Recall your favorite childhood game.
44. Put postcards of art pieces/painting on the inside of your kitchen cupboard doors, so you can see them everyday (but not become deaf to them.)
45. Draw the same object every day for a week.
46. Write in your journal using a different medium (brush & ink, charcoal, old typewriter, crayons, fat markers.
47. Draw the individual items of your favorite outfit.
48. Make a useful item using only paper & tape.
49. Research a celebration or ritual from another culture.
50. Do a temporary art installation using a pad of post it notes & a pen.
51. Draw a map of your favorite sitting spots in your town/city. (photocopy it and give it to someone you like.)
52. Record all of the sounds you hear in the course of one hours.
53. Using a grid, collect various textures from magazine and play them off of each other.
54. Cut out all media for one day. Write about the effects.
55. Make pencil rubbings of six different surfaces.
56. Draw your garbage.
57. Do a morning collage.
58. List your ten most important things, (not including animals or people.)
59. List ten things you would like to do every day.
60. Glue a photo of yourself as a child into your journal.
61. Trasform some garbage.
62. Write an entry in your journal in really LARGE letters.
63. Collect some 'flat' things in nature (leaves, flowers). Glue or tape them into your journal.
64. Physically alter a page. (i.e. cut a hole, pour tea on it, burn it, fold it, etc.)
65. Find several color combinations you respond to in public. Document them using swatches, write where you found them.
66. Write a journal entry describing something "secret". Cut it up into several pieces and glue them back in scrambled.
67. Record descriptions or definitions of subjects or words you are interested in, found in encyclopedias or dictionaries.
68. Draw the outline of an object without looking at the page. (contour drawing).
69. What were you thinking just now? write it down.
70. Do nothing.
71. Write a list of ten things you could to do. Do the last thing on the list.
72. Create an image using dots.
73. Do 3 drawings at different speeds.
74. Put a small object in your left pocket (or in a bag), Put your left hand in the pocket. Draw it by feel.
75. Create a graph documenting or measuring something in your life.
76. Draw the sun.
77. Create instructions for a simple everyday task.
78. Make prints using food. (fruit and vegetables cut in half, fish, etc.)
79. Find a photo. Alter it by drawing over it.
80. Write a letter using an unconventional medium.
81. Draw one object for twenty minutes.
82. Combine two activities that have not been combined before.
83. Write about your day in an encyclopedic fashion. (i.e. organize by subject.)
84. Write a list of all the things you do to escape.
85. Cut a random shape out of several layers of a magazine. Make a collage out of the results.
86. Write an entry in code.
87. Make a painting using tools from the bathroom.
88. Work with a medium that is subtractive.
89. Write about or draw some of the doors in your life.
90. Make a postcard that has some kind of activity on it.
91. Divise a journal entry using "layers".
92. Divise an entry using "layers".
93. Write your own definition of one of the following concepts, sitting, waiting, sleeping (without using the actual word.)
94. List 10 of your habits.
95. Illustrate the concept of "simplicity".

11.9.07

we art lists

sei que já sabes
e sei que achaste a ideia genial

FESTÃO da LISTA



101 coisas em 1001 dias
uma lista realmente comprometedora
de sim ou sopas
para o futuro próximo
aquele futuro que preparamos cheias de planos?

"é ir".

28.8.07

voltei a ela, soube tão bem

Gracias a tu cuerpo doy
Por haberme esperado
Tuve que perderme pá
Llegar hasta tu lado
Gracias a tus brazos doy
Por haberme alcanzado
Tuve que alejarme
Pá llegar hasta tu lado
Gracias a tus manos doy
Por haberme aguantado
Tuve que quemarme
Pá llegar hasta tu lado

lhasa de sela

26.8.07

this too should've stayed home

ou como os vianeses dizem "vendem-se vísceras de porco"

que te vaya bien


que te vaya bien, originally uploaded by riu piu piu.

family tree

finalmente, decido-me a fazer perguntas. cronologicamente:

o meu bisavô , chamado joão, matou um homem e foi preso. era pedreiro e na altura vivia na ponte do bico, aqui em braga. para atravessar a ponte arriscava-se a ser assaltado diariamente e uma vez iam até atira-lo para o rio - ao irmão do meu avô roubaram-lhe aí o orçamento - salvou-lhe a pele um homem que passava e disse "esse não, que esse aí é conhecido!" , e pronto, lá lhe salvou o pêlo. Dizia eu, arriscava-se a muito só para chegar a casa, e como quase toda a gente, tinha a sua pistolinha na algibeira. Numa noite de copos, um brutamontes, com o dobro da altura do sr. joão - conheces bem a estatura normal dos vieiras - ameaça matar um gato. ao meu bisavô, meteu-se-lhe na cabeça que o homem não podia matar o gato! então depois de pancadaria, com o homem gigante em cima dele, sr. joão saca da pistola e dá-lhe um tiro.
depois vai para casa, enfia-se na cama e adormece.
Na manhã seguinte, com a polícia à porta, diz que não se lembra de nada, a polícia faz questão de lho relembrar, e sr. joão é preso na cadeia do campo da vinha (?).
Morre na cama, tranquilamente, depois de ter molhado doces de romaria numa malga de leite, comprados pela minha avô. come e morre.
"que morte santa" diziam.

Sr. João era casado com a dona Glória, minha bisavó, portantos. Ela vendia fruta, tremoços e azeitonas à face da estrada. às vezes mantinha as frutas debaixo duma cobertura no quintal de casa, e os garotos que iam ao rio, passavam por lá e roubavam-lhe tremoços! ah, a casa ficava mesmo ao lado do rio. aliás, contou-me o meu tio, que debaixo do chão da casa, estavam só cobrinhas d'agua e que uma vez, ele pensava que estava a mamar na mama da minha avó, mas não, tinha um rabinho de cobra na boca!

A minha avozinha, a linda e amorosa SeTresinha, vendia fruta com a mãe,o que implicava acompanha-la desde a ponte do bico até ao mercado, no centro da cidade, com os cestos da fruta. Quando a Dona Glória morreu, Teresinha fica com o lugar no mercado. Aí, como não descontava para a segurança social, decidiu pensar na velhice e fez-se padeira, em que trabalhou 10 anos, o mínimo para obter depois uma reforma. Entre vender o pão, criar seis filhos e cuidar do marido, fazia também a limpeza nas casas de duas senhoras amigas.

O meu avô a Augusto Araújo Fernandes, pura e simplesmente ignorou o Araújo do nome e passou a ser só Augusto Fernandes. Bela peça, descobri que o meu avô era um bon vivant. Quando fazia viagens de comboio ao Porto com a filha, dizia assim ao passar em Famalicão "olha, já tive aqui uma namorada"; passado mais uns minutos repetia a frase. Era muito amigo de estudantes e como sempre foi comerciante, uma vez ofereceu um fato a um estudante que não tinha dinheiro para comprar um para levar a namorada a ver uma exposição colonial no palácio de cristal. foi para o brasil visitar a irmã e por lá ficou uns tempos...depois voltou e foi ele quem movimentou toda a familia...da ponte do bico para o areal. no areal, abre um tasco frente ao então inexistente quartel. a minha avô trata dos fritos antes de ir para a padaria e ele trata do resto. nesse tasco, vive toda a família. nesse tasco, viria depois a abrir o meu avô paterno a sua oficina de metalurgia. pois, que uma vez que a ideia do quartel começa a surgir e a tornar-se realidade, os livro de calotes do sr. augusto começa a aumentar e não tem alternativa a viver ao pé de montariol, onde vive uma bruxa agora. depois foram para a casa que conheci, e de que sinto falta. papel de parede amarelo e azul e linóleo a imitar a madeira no chão.
Augusto faz do rio o que ele quer. excelente nadador, aventureiro, namoradeiro, e excelente guitarrista faz cócegas nos pés da minha avó quando ela era criança. casaram-se tinha ele 50 e ela 26. ela servia-lhe o café na casa do professor da aldeia, que o avô frequentava.
nunca incomodou ninguém. nem deixava que ninguém incomodasse alguém. uma vez cortou as tranças da minha tia com a sua navalha da barba, porque tinha de pedir à vizinha que as fizesse, uma fez que a vó saía demasiado cedo de casa para as fazer. essa minha tia, revoltada, faz o mesmo penteado a uma gémeas que conhecia, dizendo que ficariam muito mais bonitas. estas, com um penteado irremediável vão chorar para a saia da sua mãe, que vem fazer queixa à minha avó, que quer bater na minha tia. "o Se Tresinha, não bata! só não sei o que faça ao cabelo das minhas filhas!..."

21.8.07

ando a sentir o que é saber o que se quer, é o que é.
sempre andei às turras, a tomar decisões sem as pensar, a trabalhar e não questionar realmente porque trabalhava, olha, é o meu dever
toda a gente sabe que a minha ida para psicologia concorreu com história, com sociologia, com línguas e sei lá mais o quê, mesmo à perdida
e tem sido engraçado
mas só agora é que encontrei "aquilo"
"aquilo" sempre esteve ao meu lado e nunca o vi assim. "aquilo" é a cultura popular na sua simplicidade, no seu lugar de nascença, no seu em bruto

dei por mim boquiaberta de cada vez que descobria o porquê de um detalhe numa roupa minhota, ou do nome de uma cidade.

só de pensar nas histórias, sabedorias, danças, cantares, jogos, que guardam os nossos velhos sinto uma curiosidade já emocionada, um pavor de que fiquem por terra, na deles, com eles.

há anos, quando tinha o cabelo cor-de-rosa, fui a vila da ponte e pelo caminho conhecemos a dona ana. a dona ana vestia-se de negro e calçava umas botas sujas de lama. cantou-nos uma música da ana e de um príncipe. tiramos uma fotografia com a dona ana e prometemos enviar-lha. a culpa é só minha, ainda tenho a foto comigo e nunca a enviei. entretanto a senhora deve ter morrido.

mas é isto
posso falar dos nossos velhos como dos velhos dos outros
os intrumentos que criam
as histórias que inventam para se justificar no mundo
as danças que expiam qualquer mau pensamento em qualquer recanto

fogo
a terra é linda

sinto-me terra
sei que sou terra
que tenho de aprender a terra, ensinar a terra,
impedir que a terra regresse à terra

(quantas línguas morrem, quantas profissões desaparecem, quantas músicas nunca serão ouvidas e ninguém sabe que algumas vez existiram)



19.8.07

da iluminação

sei o que quero dizer, não tenho disposição, perdi-a!
mas não esqueço

7.8.07

ano novo

A pobre da vitorina
Como todo mundo sabe
Dizem que morreu de parto
Que morreu na enfermidade

A pobre da vitorina
Como todo mundo sabe
Só queria morrer de velha
Com seu amor de verdade

Às portas da eternidade
Tinha junto ao coração
Uma letra que dizia
Morrer sim deixar-te não!

ares

Depois de 8 dias a temperaturas beirãs (entre 40 e 45º à sombra), os 20º cá do Norte são quase difíceis de suportar, tendo em conta que é Verão.
Relativamente às temperaturas impossíveis, nem eu acreditava, até verificar que todos os termómetros em campo diziam o mesmo...

22.7.07

tem um nome

o que eu quero fazer tem um nome
foi importante só decidir que o queria fazer mas daí a conhecer-lhe o nome tornou-o ainda mais possível

chama-se etnomusicologia e a objectividade da wikipédia não lhe tirou o charme:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Etnomusicologia

19.7.07

do homem que criou uma neta sozinho, numa vila de pescadores na costa galega. costa de mortes e pescarias invertidas. marchante de profissão, cortou três dedos da mão direita deixando o polegar e o mindinho intactos. eram três bifes de vaca para a dona luz. os dedos restantes davam algum suporte mas a mão não era muito utilizada de qualquer forma. a carne não era muito rentável de qualquer forma por isso fechou o negócio. entre o tempo do cheiro a carne morta lhe desentranhar do corpo viu o seu genro desaparecer para sempre no meio de mar, viu a sua neta soluçar a dor, viu a sua filha ao pé da estrada, numa cadeira de plástico, a puta. nunca deixaria o cheiro a peixe substituir o da carne, nunca. pegou na neta e abriu o bar onde pescadores, faroleiros e marinheiros comem calados o seu almoço. espera por eles todas as manhãs com a televisão ligada no canal infantil, para a neta, enquanto lê o jornal. triunfa ao saber que os seus dois dedos seguram perfeitamente uma chávena de café ou um copo de cerveja, mas que nunca puxarão as redes que arrastam para dentro mais do que deixam saltar para fora, onde já se viu, tanto homem vazio.

16.7.07

24.6.07

por falar em pretéritos

e eu tenho saudades.

maybe next year...

22.6.07

search skin deep

acho que estou a ouvir uma coisa que já ouviste, a francisca cortesão é boa, é docinha
se tu voluntariamente te embrenhas em pretéritos
os meus vêm ter comigo
hoje recebi e-mails de dois mil e quatro
as primeiras aventuras do nuno em londres - as megastores são mesmo mega, e os livros são baratos!
um e-mail da daniela a desculpar-se por uma coisa que fez e que, de todos, só me contou a mim
a lígia, que nunca aparecia, e que uma vez me escreveu uma carta cheia de lugares-comuns mas que adorei receber
naquele verão terrível escrevi e-mails muito tristes aos meus amigos, e eles responderam-me
agora mal lhes falo
que coisa mais coisa para acontecer. alguns falam de coisas que não faço ideia o que são

das tuas botas, o melhor post de sempre. boa vida
gostava de fazer algo igual com as minhas - que ainda estão na flor da juventude - mas ainda não estiveram em sítios suficientes para o fazer

do teu monopólio, ainda bem que continuas a escrever. eu tenho pensado, e tenho coisas para escrever, mas não me apetece. o teu portfolio fez-me pensar como crescemos com panos de fundo diferentes, como fomos estimuladas em sentidos diferentes, como temos influências diferentes e como desejamos as mesmas coisas para o futuro
dar, aprender, conhecer
wherethehellarejoana'sboots
e elas a dançar sob a aurora burealis da noruega
ou a equilibrar-me depois duma tosga com as aldeãs vietnamitas doidas
ou a serem levadas por um carro vermelho a atravessar o mojave

o a um deus desconhecido está a ser lindo
está a impedir-me de estudar
porque estudo no mesmo quarto em que durmo, e isso está bem, contra todas as leis comportamentalistas
mas estudo no mesmo quarto em que tenho os livros
e isso, finalmente, voltou a estar mal

não o quero acabar, mas quero, porque parece que vai acabar mal, mas pode não acabar mal, tamanha é a fé em algo que não se sabe o que é e que não se admite o que é
é um ode à natureza
é morrer e ser uma árvore
e dar de beber vinho à árvore, porque ela guarda alguém

do Lat. exequias

Exéquias:

s. f. pl., cerimónias ou honras fúnebres.
só para os leigos leitores que não tem a sofisticação linguística da RS.

21.6.07

on my bedside

http://www.lonelyplanet.com/

Countdown: 20 days

cobwebs and old boxes

As arrumações a fundo que faço no meu quarto estão normalmente cheias de boas intenções, mas nunca chegam ao fim. Passo horas a remexer em coisas antigas, ponho-as e montinhos a que depressa perco a organização e o destino. Vejo, recordo, penso para mim mesma no que é que tenho que fazer com elas. Muitas vezes, a to-do-pile é maior do que aquilo que consigo eficazmente arrumar, por isso pego nela e volto a arrumá-la, num sítio diferente.

Só a D. Elvira é que acha que nenhuma destas organizações tem uma lógica prática, estabeleceu uma ordem só dela e eu nunca consigo encontrar as coisas que procuro. Mas não faz mal. Não conseguiria na mesma, e assim, ao menos as coisas têm um ar mais arrumado (segundo os critérios da minha mãe).
Uma das razões que me levam a perder tanto tempo (ou a ganhar, depende do ponto de vista), é que passo imenso tempo a reler cartas, trabalhos e a ver fotos antigas. Um destes dias encontrei o caderno de poesia do último ano da escola na Inglaterra.


19.6.07

old times

after crisis come good times

and after good times come crisis

cycle of life
in the summer, the emmigrants return home
even though they'll never return again
even though they never left